Doces nomes para o marido

4/out/2016 - Explore a pasta 'Doces Gregos' de MARIA HELENA no Pinterest. Veja mais ideias sobre Doces gregos, Doces, Gregos. Aproveito para pedir ajuda! Meu marido e eu, um casal idoso, chegaremos a Lisboa num feriado e gostaria de reservar um buffet em algum restaurante, onde haja várias opções para quem aprecie a gastronomia portuguesa, mas precise controlar o consumo de sódio. Para mim, uma variedade de sobremesas tradicionais é o principal. Eu gostei dos nomes mais eu gostaria de fazer uma junsão do meu nome e do meu marido eu chamo me Carina e o meu marido chama se Felix preciso e muito preciso da tua a juda bjs Cauane Saugo disse: 2 de setembro de 2016 às 15:23 Carências nutricionais- a falta de alguns nutrientes como por exemplo magnésio e cromo aumentam o desejo por doces. Que tal aumentar o consumo de alimentos ricos nesses nutrientes para ver o que acontece Cacau em pó, amêndoas, grão de bico e sementes são algumas fontes. Caixa Surpresa para o Namorado: 50 Ideias Criativas para Declarar o Seu Amor! Na hora de declarar todo o seu amor, muitas mulheres procuram por ideias de caixa surpresa para o namorado . Afinal, esse é um presente divertido, diferente e bastante criativo – que ficará na memória do amado por muito tempo. Nomes fofos para o amor de sua vida têm de todas as formas e tamanhos. Às vezes, um nome de animal de estimação pode vir de uma piada ou brincadeira íntima entre vocês. Outras vezes, é uma abreviação de um nome ou sobrenome, um nome de infância ou algo que, por qualquer motivo, tenha saído da sua boca e soado fofo e verdadeiro no ... De tal forma, que hoje até pode ser o homem a acrescentar o nome da mulher. No entanto, em algumas famílias mais tradicionais, a decisão da esposa não aceitar o nome do marido pode ainda ser malvista. Existem ainda casos mais extremos de casais que optam por excluir o apelido de solteira da esposa para substituí-lo pelo do marido. Para que serve a simpatia para dominar o marido Você já deve ter ideia para o que serve, mas vamos passar a explicar mais detalhadamente muito rapidamente. Ela serve para dominar o marido, serve para o deixar mais calmo, mais manso e f azer ele deixar a gente fazer tudo o que queremos . Dar um apelido carinhoso para alguém é uma das formas mais especiais de presentear este ser na sua vida. Separamos apelidos fofos, engraçados e até mesmo em inglês para você começar a chamar o seu namorado ou sua namorada e até mesmo o/a crush hoje.. Você pode até mesmo colocar esses nomes no contato dele ou dela. Doces são uma tentação. Difícil resistir, especialmente em viagens, quando saímos da rotina sem culpa. E eles têm o poder de ficar gravados na memória para sempre. Alguns tiram do sério até mesmo quem não é muito ligado em açúcar, como é o meu caso. Então, vamos aos melhores do mundo:

As Aventuras Desaventuradas de Pêra (#3)

2020.08.18 20:41 KimiTanoshimu As Aventuras Desaventuradas de Pêra (#3)

Era uma vez, em tempos tão longínquos como o local em que esta história se passa, uma bela princesa, a jovem Pêra. Delicada como uma árvore nos seus primeiros anos de vida e doce como o fruto amadurecido que um dia dela cairá, Pêra passara grande parte de sua vida numa torre. Fazia-lo por opção própria.- É para criar tentação - alegava, usando uma história para crianças como justificação para seu pai.Este, extremamente cético quantos aos métodos de sua filha, até chegou a ameaçar de espingarda um ou dois pretendentes, mas admitira que a altura chegara e ela deveria arranjar um marido.Metros e metros, hectares e hectares, semeados de homens, cobertos de cavalos, carroças e joalheria. Depois de inúmeras horas, provavelmente até dias, a escolher a pente fino, a verificar passados e qualificações, três candidatos foram escolhidos e submetidos à pior das provas, mostrar à princesa o porquê de deverem ser escolhidos.
Entrou pois o primeiro, João Abreu:- Soys princesa ou soys anjo? Que tal língua que tanjo, Não te consegue descrever De tal beleza que estoy a ver.
Nos teus braços desejo voar Por João Abreu me poderás tratar Mas que serve uma apresentação Se não me for oferecida a tua mão?
(Pêra corou brevemente)
- Encantada estou com sua presença Com tal língua de habilidade imensa Acredito que não me tenha de apresentar Mas sou Pêra, parastes aqui para casar?
Movido pela reação da dama, convencidodisse:
- Pois então, pois venho! Uma grande população reino E se vós quereis o melhor que há Não procureis mais, à sua frente o está.
Ao sentir a presunção do dito João, Pêra, acertiva respondeu:
- Com a língua tem tu cuidado Não és mais que um mísero delegado E tal como na realeza, na poesia Desgosta-se o uso abusivo de ironia.
Envergonhado e acorbadado, fugiu com a espada entre as pernas, o mal sucedido delegado.
Surgiu assim o segundo, Manel Ferreira:- Oh Princesa dos meus olhosOh Rainha do meu coraçãoOh minha pura tentaçãoOh Alegria aos molhos.
Em ti confio mi vidaEm ti e só em tiEm ti um amor ardente vi.Em ti vejo uma boa vida vivida
(Pêra, encantada, reveu o perfil do jovem promissor. Só para se atormentar com o rank do pobre coitado no Lol...)- Oh pobre mocim'...Oh pobre mancebo cansadoOh pobre és e desesperadoOh pobre, então faremos assim:
- Eu com urgência necessitoEu não tenho defesa ou seguroEu tenho má fé e medo do escuroEu procuro um pequeno guardazito.
Sem perguntas que trouxessem má fado, sacou de um capacete e pôs-se logo a postos.
Chegara, por fim, o terceiro, O Mestre, ahm... Mário Ramos.- Oh que bela em pessoa soys!Ao natural, sem ilusõesMesmo encanto e tentações,E vaidade não falta pois.Neste mundo em que somos peõesVivamos não como um mas como doisE que esta rima isso simbolizeE sua magnificência caracterize.
Minha jovem dama dos céusCom honra e sem desleixoMinha benção deixoAos deuses meusE nem que se sacrifique gueixoMas que soltem os meus escarcéusPois nunca me senti tan desejadoE em tua grandiosidade estou atado.
Manel, agora guarda real feito, conjugado pela própria palavra real e tendo assim prometido manter a rainha a salvo, de forma a honrar tal palavra, ou pelo menos achando que assim o fazia, disse:- Para que vindes cavaleiro sovina?Para armar a esperteza?Para tentar alcançar a realeza?Para passar a perna a menina?
Acredites que vejo o sal na águaAcredites que vejo o vinho no pãoAcredites que não te vejo um único tostãoAcredites que te vejo a lhe criar mágoa.
De forma a seguir o direto, mas correto discurso do crente Guarda, disse assim a princesa:- Para que vindes então Cavaleiro?
Espantado por o que achara outrora um espantalho ter ditado uns belos versos, Mário rapidamente respondeu:
- Pois, bem, ahm, público difícil?Venho aqui um engenho meu demonstrarMas primeiro tenho que me certificarQue o guarda aplaudo, mesmo peridócil!Acredito que minha obra venha para ficarE substituir papel, pombo e estêncil,Este promove a comunicaçãoE WhatsApp é o nome que lhe dão.
Vendo a futura rainha com traços de curiosidade, Mário finalizou em estilo:
- A partir desta maquinetaPremir botão aqui,Botão ali,Mensagem para o pai, o filho e a netaFácil para todos, até para um lóquiSem discriminação, de gênero ou pernetaExperimente princesa, cortesia minha(É que para falar mais ninguém eu tinha).
A Princesa encantada, aventurou-se com a traquitana durante horas e horas e ao ver que o jovem inventor ainda se encontrava lá, à espera da sua reação, decidiu agradecer-lhe com um beijo, por lhe oferecer tal presente dos Deuses.Mário pifou. Como se diz em tempos mais futuros, mario.exe stopped working. Mário, que antes se apresentava apenas com intenções artísticas e económicas perante a princesa, viu um universo à sua frente e sempre que ficava sem ar, (ou pelo menos imaginava-se porque teorizara que no espaço não haveria ar), respirava o momento daquele beijo na sua agora rosada bochecha.Numa voz envergonhada e hipnotizada, disse:
- Pode ficar com o produto é uma oferta da casa princesaa aaa aE depois de alguns segundos, despediu-se e partiu, um tomatinho feliz a caminhar sobre o pôr do sol.
-Que farei eu agora meu guarda fiel? Nenhum dos 3 pretendentes foi escolhido... Bem não é tempo para mágoa, amanhã voltamos à seleção! - disse a princesa.
Enquanto isso, Mário voltava para a sua cidade Natal mais rápido que com qualquer cavalo devido a uma das suas mais recentes invenções, botas 'a jato'. Eram na realidade alimentados por uma fonte renovável de...- Finalmente cheguei! Não sabem o que me aconteceu! - disse o inventor.
Após chegar ao destino, tinha parado em casa de uns dos seus melhores mates, Lori e Manchester Kibizan.
- Estava a apresentar aquele meu produto à princesa, o que vos agradou também e ela não só amou como me deu um beijo como forma de agradecimento. Eu, eu acho que há mais que se diga da coisa, depois de amanhã vou ter com ela com outra invenção para continuar o namorisco, agora tenho que ir trabalhar nela mesmo, durmam bemmm!
E assim se despediu. Vendo esta reação e história tão estranha e súbita, Lori disse:
- Ele é bom rapaz.Ambos levantaram os ombros em concordância e continuaram o que estavam a fazer.
No dia seguinte ambos partiram cedinho na demanda para ir ter com a princesa. Chegaram bem mais rápido que o que seria necessário com as botas a jato personalizadas que Mário lhes fizera, que já agora utilizam um material...
- Eeeeeeish - disse Manchester. º
A fila que viam à sua frente de homens e de até várias mulheres, era humanamente impossível, bem em teoria, porque ali estavam. Não estavam interessados na princesa em específico, por isso foram sorrateiramente se aproximando da sua torre. Quando chegaram lá viram a princesa. Parecia cansada e irritada, mas para que é que estava esta gente toda aqui? Eventualmente, a princesa viu-os e avisou Manel para fazer a chamada para o lanche da manhã. A fila rapidamente desfez-se e várias pessoas reuniram-se em tendas ou acampamentos, mantendo civilizadamente a ordem.
- A que devo a vossa presença? - disse a princesa à dupla com quem mantia amizade há vários anos.- Ouvimos falar das tuas triquinices com uma pessoa especial - disse Manchester.- Gostávamos de saber mais - disse Lori, soltando um riso maroto.Confusa, Pêra respondeu?
- Triquinices? De que falam? Na realidade estou com falta de alguém para com quem as fa...
E interrompeu-lhe Lori para perguntar: - Pois, para que é esta fila toda?
Lori, percebendo a confusão da situação na cara da princesa e de Manchester decidiu contar o sucedido à princesa que lhe fez o mesmo.O resto é história, quando Mário soube o sucedido, de ambos os lados, já tinha sido rejeitado pela princesa, quase desprezado por tal difamação da princesa. E após dias de viagem a tentar buscar sabedoria com uma das melhores amigas da princesa, Rainha Vera, acabou ainda mais desolado, pois os conselhos desta tinham sido desistir da situação, para o seu próprio bem.Assim acaba a história, com Mário deitado debaixo duma árvore, a olhar para o sol. Sem emoção, sem pensamento, apenas com uma dor no coração. Não sabia ele que essa dor o motivaria para outras variadíssimas aventuras, milhares na realidade, até ser conhecido como o grande herói de toda a Terra. Mas isso é outra história.Por fim, sabe-se que Lori e Manchester se separaram de Mário, não por se terem zangado, mas apenas puro destino. Mantiveram, no entanto, contacto. Manel até hoje ainda guarda Pereira, mesmo já não se encontrando em sua torre. Após ter encontrado um plebeu cujo nome apenas tem duas letras, Pêra aventurou-se pelo mundo antes de ter de assumir o seu papel como rainha. Felizmente, acabou por encontrar um homem da selva que lhe preencheu o coração e a satisfez de uma vez por todas.Mário continuou sua jornada, com o coração partido e completamente destroçado, mas sem nunca desistir.
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2020.07.03 04:53 rhaissabaruc O DIA QUE A NAMORADA DO MEU IRMÃO ME FEZ ENTRAR EM TRABALHO DE PARTO ANTECIPADO DE RAIVA!!!!!!A história é longa mas vale muito a pena.

É o seguinte turma, só para contextualizar, meu irmão mais velho namorava essa menina a uns 6 anos na época. Eu e ela nunca nos demos bem pelo motivo de ela ser uma namorada completamente manipuladora e toxica no sentido físico, psicológico e financeiro, uma parasita em níveis que o próprio Alien teria inveja. Meu irmão é um técnico de enfermagem muito doce e inteligente, o que piora tudo pois eu sei o potencial que ele tem, e essa garota o esta empacando na vida, pois ele tem sérios problemas de autoestima e acha que se largar ela, ele não vai mais arranjar ninguém.
Pois bem, eu estava noiva (tinha 24 anos na época, sim tem tempo) e planejando o casamento, o que aconteceu foi que eu descobri que estava gravida (em um carnaval bem louco mais essa é outra história), então eu decidi adiar a cerimônia do casamento pois não queria casar com a barriga grande, então adiamos um ano a data do casamento, a bendita ceifadora de vidas estava convidada até aquele momento, mesmo não gostando dela eu suportava porque meu irmão tinha 28 anos e eu deveria respeitar a decisão dele. Ela morava longe, por isso sempre ia almoçar na nossa casa, que era relativamente próximo da faculdade dela. Neste fatídico dia em questão que ficaram conhecidos na minha família como o dia que a “Pôia” (forma carinhosa que eu a chamava) surtou pela primeira vez, chegou em nossa casa e eu estava com 8 meses de gestação, era uma segunda feira e eu estava fazendo um bolo de chocolate para o meu irmão mais novo. Pois bem, ela chegou, almoçou e perguntou para o meu irmão (seu namorado) se não íamos cortar o bolo. Eu ouvi e disse: - “O bolo é para o “Pedro”. Na hora eu vi que ela não gostou, mas não me importei e continuei a fazer o que eu estava. Depois de alguns minutos eu ouço o peixe-bolha das profundezas do tártaro gritando com o meu irmão mais velho, eu vou até a sala e eu digo: “ Olha aqui garota, o bolo é meu, se eu quiser eu taco ele na parede e não te dou”. Volto para o meu quarto, e ouço ela berrar e sair cantando pneu pela rua. O que eu só fui saber mais tarde foi que, ela e meu irmão mais velho foram buscar a senhora diva da casa, minha mãe e essa garota fez um drama enorme para minha mãe ao ponto de chorar e dizer que eu a humilhei e ameacei tacar o bolo na cara dela. Quando minha mãe chega em casa, vem falar comigo e é aí que o bicho pegou, pois seria algo fácil de ser resolver certo? Mas eu estava gravida. Com os hormônios frenéticos em cada célula do meu lindo corpo de gestante. Resultado? Eu briguei com o meu irmão, que brigou comigo, que fez minha mãe brigar com nos dois e meu pai chegou e brigou com nós 3. Quase não dormi aquela noite e tanta raiva, minha bolsa estourou no dia seguinte pela manhã, entrei em trabalho de parto 15 dias antes e segundo a minha médica, sim foi o estresse pois a minha pressão estava muito alta. No dia que eu voltei para a casa do hospital com minha filha recém-nascida, esse filhote de cruz credo com rato-toupeira-pelado teve a audácia de entrar no meu quarto com a mãe dela, sem bater em quanto eu amamentava. Eu fui logo levantando e mandando aos berros que ela saísse, no final eu entreguei minha filha para o meu agora marido e expulsei ela e a mãe dela do quarto pelo braço, falei tudo o que estava instalado, inclusive das vezes que ela bateu no meu irmão, fez chantagem emocional para ele comprar coisas para ela, fez ele fazer trabalhos da faculdade dela, maltratou minha mãe e o melhor falei de todas as traições dela. Ela ficou roxa de tanta vergonha por eu expor ela na frente da mãe dela e do meus pais e a cereja do bolo de merda foi ela peidar, sim ela liberou gases pelo seu orifício anal, na frente de todo mundo na bela sala de estar da minha mãe. E não foi um peido simples e discreto, foi daqueles graves e molhados. A situação foi tão bizarra que ninguém riu, só ficamos lá olhando para ela até que a mãe dela disse: “ (falou o nome da cara da forma de fazer o capeta), você quer ir no banheiro?”. Minha mãe já emendou falando que ela e a mãe deveriam ir embora. Eu me casei alguns meses depois ao ocorrido e meu irmão só foi para a cerimônia, não foi para a festa. Infelizmente meu irmão ainda está com esse elefante-marinho do Sul até hoje, mas eu nunca mais a vi, já que ela está banida da casa dos meus pais. Fim!
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2020.05.18 00:18 livrosetal Um Beijo Inesquecível, de Teresa Medeiros

Sinopse
Laura Farleigh precisava de um marido. Se quisesse manter um teto sobre a cabeça dos irmãos, a orgulhosa filha do reitor teria de casar até ao dia do seu vigésimo primeiro aniversário. Ao encontrar inconsciente na floresta um misterioso desconhecido de rosto angelical e corpo de Adónis, que não se lembrava do nome e do passado, decide reclamá-lo como seu. Mal sabia ela que aquele anjo caído era afinal um demónio disfarçado.
Sterling Harlow, o famoso devasso conhecido como o «Demónio de Devonbrooke», acorda com o beijo encantador de uma formosa jovem que lhe confessa ser ele o seu prometido. Com as faces beijadas pelo sol e sardentas, Laura é uma jovem inocente apesar do encanto feminino das suas curvas. Quando lhe garante ser ele um perfeito cavalheiro, Sterling pergunta a si próprio se, para além da memória, terá perdido o juízo. Juraria não ser homem para se satisfazer apenas com beijos — principalmente os da doce e sensual Laura.
Tentando descobrir a verdade antes da noite de núpcias, um beijo inesquecível ateia a paixão que nenhum deles alguma vez esquecerá.
Epub retail
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2020.04.14 08:59 Lost-Morning Fogos de artifício de Liuyang Qingtai Huang Weide: Para os lindos fogos de artifício, minha mãe sorriu alegremente e trabalhou duro por toda a vida

Fogos de artifício de Liuyang Qingtai Huang Weide: Para os lindos fogos de artifício, minha mãe sorriu alegremente e trabalhou duro por toda a vida
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浏阳庆泰烟花黄蔚德:为了绚烂的烟花下,母亲开心的笑容,奋斗一生
Fogos de artifício de Liuyang Qingtai Huang Weide: Para os lindos fogos de artifício, minha mãe sorriu alegremente e trabalhou duro por toda a vida
她是个历经磨难的女人,出生在战乱的时代,成长在贫穷饥饿的年代。她叫陈玉兰。青春时期,陈玉兰经人介绍嫁给了一个质朴诚实的男人,生育了一双儿女,当她感到幸福终于降临她的身边时,家中的顶梁柱丈夫却意外去世,那一年她的儿子才刚满四岁,女儿才咿呀学语。颠簸的命运,坎坷的经历,重重将这个淳朴的女人击垮,她抱着一双儿女撕心裂肺的哭到晕厥,待她醒来时,儿子站在床边端了一杯水她喝,指着窗外对她说:“妈妈,你看,过年了,外面放爆竹,好美……”陈玉兰擦干眼泪,紧紧的抱紧儿子和女儿……
Ela é uma mulher que sofreu dificuldades, nasceu em tempos de guerra e cresceu em tempos de pobreza e fome. O nome dela é Chen Yulan. Na juventude, Chen Yulan apresentou que se casou com um homem simples e honesto e deu à luz um par de filhos.Quando sua felicidade finalmente chegou, seu marido morreu inesperadamente e seu filho tinha apenas quatro anos naquele ano. Minha filha balbuciou e aprendeu. O destino esburacado, a experiência esburacada, esmagou esta mulher simples, ela chorou com um par de filhos, de coração partido e desmaiou.Quando acordou, o filho ficou ao lado da cama e trouxe um copo de água. Olhando pela janela, ela disse: "Mãe, olha, é o Ano Novo Chinês. É lindo colocar foguetes do lado de fora ..."
从这以后,这个淳朴的女人就挑起家庭的重担,不辞劳苦的工作,她质朴的心愿就是能够让儿女能够有口饭吃,过年过节也能够跟儿女放几个爆竹。父亲离去时的那一年的烟花,母亲的泪,那一幕像一枚印记一般铭记在黄蔚德内心的深处。看着母亲的流淌的汗水,日渐佝偻的身体,少年的黄蔚德小学读到三年级就辍学,到一家爆竹厂做小工,主动选择最危险的给爆竹加火药的工作,只为一天能够多赚几毛钱工资。
Desde então, essa mulher simples sobrecarregou a família e trabalhou arduamente, e seu desejo simples é permitir que seus filhos comam e comam e colocar alguns foguetes com seus filhos durante o Ano Novo e o Ano Novo. Os fogos de artifício naquele ano em que meu pai foi embora, as lágrimas de minha mãe, a cena foi impressa nas profundezas do coração de Huang Weide como uma marca. Observando o suor e o corpo em crescimento da mãe, a jovem Huang Weide Elementary School abandonou a escola quando ele estava na terceira série, trabalhou como um pequeno trabalhador em uma fábrica de fogos de artifício e tomou a iniciativa de escolher o trabalho mais perigoso de adicionar pólvora ao fogos de artifício. Salário de alguns centavos.
就这样一做就是十二年,从计件小工,做到烟花技术师父,勤奋好学的黄蔚德那时最大的愿望就是,希望母亲不要那么辛苦,家里人能够每餐都能吃顿饱饭,过节过年,能陪母亲妹妹一起放爆竹。改革开放的春风终于吹到了浏阳,黄蔚德在家里开了个小小的烟花作坊,得益于母亲和黄蔚德多年来经常将家中的粮米赠送给村里没有饭吃的村民,很多人都主动来给黄蔚德做手工,村里大事小事喜事节日也都会来黄蔚德家里买烟花爆竹。黄蔚德的烟花作坊很快就做的红火起来。
Fueron doce años para hacerlo. Desde el trabajo a destajo, el maestro de la tecnología de fuegos artificiales, el mayor deseo de Huang Weide, trabajador y trabajador en ese momento, era esperar que su madre no fuera tan dura. Año Nuevo, puede acompañar a madre y hermana con petardos. La brisa primaveral de la reforma y la apertura finalmente golpeó a Liuyang. Huang Weide abrió un pequeño taller de fuegos artificiales en casa. Gracias a su madre y a Huang Weide, a menudo donaba el grano y el arroz en su casa a los aldeanos que no tenían comida en la aldea. Huang Weide hace manualidades, y los principales eventos y felices eventos de la aldea también vendrán a la casa de Huang Weide para comprar fuegos artificiales y petardos. El taller de fuegos artificiales de Huang Weide pronto se hizo popular.
黄蔚德的勤奋好学,乐善好施,深得人心,浏阳的第一家民营工厂浏阳水泥厂,众人把他推荐为厂长。在大家还拿着30块一个月工资的年代,黄蔚德将一家名不见经传的民营小厂,做到年利润超600万,出口全球,他花了整整十二年。
A diligência, o trabalho árduo e o bem-estar de Huang Weide conquistaram o coração das pessoas: a primeira fábrica privada de Liuyang, a Fábrica de Cimento de Liuyang, foi recomendada por ele como diretor. Na época em que todos ainda mantinham 30 yuans por mês, Huang Weide vendia uma fábrica privada pouco conhecida, com um lucro anual de mais de 6 milhões, e a exportava para o mundo, o que levou 12 anos.
那一年,也是过年,家家户户都走亲串户,烟花爆竹,热闹非凡。黄蔚德扶着母亲站在门口看小孩子们放烟花爆竹,只见一个衣衫褴褛的约莫10岁孩童,手里拿着一只碗也站在一旁看眼花,眼里写满着——希望,幸福。黄蔚德眼睛湿润了,他似乎看到了儿时的自己,他想起了父亲走的那年过年他妈妈的眼泪,他端上一大碗饭菜递给了那个乞讨的孩子,然后将口袋的钱全都掏出来交给孩子对他说:“孩子,回去跟家人吃团圆饭,放爆竹。”回头望着母亲,母亲望着黄蔚德眼里满是泪水,却绽放着欣慰的笑容。
Esse ano também foi o Ano Novo Chinês. Todos foram para a família, fogos de artifício e fogos de artifício. Huang Weide ajudou sua mãe a ficar na porta e assistir as crianças exibirem fogos de artifício.Eu vi uma criança de 10 anos esfarrapada segurando uma tigela na mão e olhando para o lado, deslumbrada, os olhos cheios de esperança e felicidade. . Os olhos de Huang Weide estavam úmidos. Ele parecia se ver na infância. Lembrou-se das lágrimas de sua mãe quando seu pai deixou o Ano Novo. Ele trouxe uma grande tigela de comida para a criança que estava implorando e depois sacou todo o dinheiro do bolso. Vá até a criança e diga: “Filhos, voltem para jantar em família com fogos de artifício.” Olhando para a mãe, a mãe olhou para os olhos de Huang Weide cheios de lágrimas, mas um sorriso de alívio.
望着天上绚烂夺目的烟花爆竹,黄蔚德擦干眼泪,他决定重新回到烟花行业。这绚烂的烟火,述说着老百姓对国泰民安的淳朴心愿,对幸福的美好期盼。这美丽的烟火,见证着老百姓合家团圆的幸福欢乐,对喜庆的美好追求。
Olhando para os deslumbrantes fogos de artifício e fogos de artifício no céu, Huang Weide enxugou as lágrimas e decidiu voltar à indústria de fogos de artifício. Este esplêndido fogo de artifício descreve as simples aspirações das pessoas por Guotai Min'an e a bela esperança de felicidade. Este belo fogo de artifício testemunha a felicidade e a alegria da reunião de família das pessoas comuns e a bela busca pela celebração.
他给他的烟花事业取名——庆泰。黄蔚德希望把所有生命和全部精力都付出到这个能够给人带来希望和幸福的烟花事业里,能够帮助更多的人拥有快乐和幸福也是他母亲一生的追求和心愿。现在的黄蔚德再做烟花心愿已经不是只为家人吃饱饭,今天黄蔚德做庆泰烟花的心愿是:世界每个地方,绚烂美丽的烟花下,有着孩童天真快乐的笑脸;有着爱侣们相伴甜蜜的笑脸;有着亲人们团圆的幸福笑脸,有着喜庆时人们的欢愉;有着落寞时对希望的期盼;有着老人们对过去幸福时刻的追忆;美好的烟火,能够给人们带来喜庆吉祥,能够带给人们美好希望。美丽的烟火,是中国人的智慧,是中国人对幸福的信仰,也是中国人送给世界最好的礼物。
Ele nomeou sua carreira de fogos de artifício - Qingtai. Huang Weide espera dedicar toda a sua vida e energia a essa carreira de fogos de artifício que possa trazer esperança e felicidade às pessoas, além de ajudar mais pessoas a terem alegria e felicidade. É também a busca e o desejo de sua mãe. Agora, o desejo de Huang Weide de fazer fogos de artifício não é mais apenas para alimentar sua família. Hoje, o desejo de Huang Weide de fazer fogos de artifício Qingtai é: Em todo o mundo, sob os lindos e lindos fogos de artifício, existem sorrisos felizes e inocentes das crianças; há doçura com os amantes Caras felizes com reuniões de entes queridos, alegria das pessoas quando estão felizes; esperança de esperança quando estão sozinhas; lembranças dos idosos de momentos felizes passados; belos fogos de artifício, que podem trazer alegria e felicidade às pessoas, Pode dar às pessoas uma boa esperança. Os belos fogos de artifício são a sabedoria dos chineses, a crença chinesa na felicidade e o melhor presente que os chineses dão ao mundo.
黄蔚德他传承了母亲勤奋好学,乐善好施,百善孝为先的品性,为了完成母亲一生夙愿,他把庆泰烟花,二十年的时间,从一家民营小厂,每年以30%以上的增长率,发展成固定资产1.6亿元,总占地面积超过5500亩,员工超过3000人,产能数十亿的大型烟花集团公司。从花中炮这一单品收千家万户追捧到橘子洲头烟花,奥运烟花供应商,取得国际专利无数,获得国际大奖无数,为中国的烟花行业的推动,有着历史性的意义。
Huang Weide herdou a dedicação trabalhadora, trabalhadora e caritativa de sua mãe.Para cumprir o desejo de longa data de sua mãe, ele tirou o Qingtai Fireworks por 20 anos de uma pequena fábrica privada com uma taxa de crescimento anual de mais de 30% Tornou-se uma grande empresa do grupo de fogos de artifício com ativos fixos de 160 milhões de yuans, uma área total de mais de 5.500 acres, mais de 3.000 funcionários e bilhões de capacidade de produção. Desde o item único Huahua Cannon, que é procurado por milhões de famílias, até Orange Island Fireworks e Olympic Fireworks Suppliers, ganhou inúmeras patentes internacionais e inúmeros prêmios internacionais.Tem um significado histórico para a promoção da indústria chinesa de fogos de artifício.
今天已经66岁的黄蔚德谈起母亲曾经的苦难仍会眼睛湿润,他经常对人说:“我在烟花行业做了快五十年,只为了烟花能够让母亲开心的笑,我用五十年执着希望能够做到业内第一,只为让我母亲能够为儿子感到骄傲,烟花飞上天绚烂绽放的那一刻,天下母亲那一刻开心的笑,我为此,付出了我一生,无悔。”
Huang Weide, agora com 66 anos, ainda tem olhos molhados ao falar sobre o sofrimento de sua mãe. Ele costumava dizer às pessoas: "Estou no setor de fogos de artifício há quase 50 anos. Somente porque os fogos de artifício podem fazer minha mãe sorrir feliz, eu uso-o há 50 anos. Persistentemente, espero ser a primeira na indústria, apenas para deixar minha mãe orgulhosa de seu filho, no momento em que os fogos de artifício voam para o céu, a mãe do mundo sorriu alegremente e eu paguei minha vida inteira sem arrependimento por isso ".
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2020.04.13 10:50 Kumiyo123 MEUS RELATOS COMO TESTEMUNHA DE JEOVÁ:...

Meu nome é Larissa e eu tenho 23 anos hoje, minha vida com os TJs começa quando eu tinha 2 anos, não me lembro direito da época, Mas a minha mãe tinha entrado para a religião e logo quase toda a família entrou, principalmente o meu avô. Desde pequenos, fomos ensinados sobre o Armageddon e sempre nos botavam medo para assim seguir Jeová, eu sempre via as outras crianças comemorando aniversário e se divertindo, comendo doces que pareciam ser bons e eu nunca tive isso, apesar de na época eu não questionar a religião, eu sentia algo na época, como se eu quisesse me libertar. Queria comemorar todas as festas natalinas, a família reunida, coisa que nunca tivemos na família porque mesmo sendo testemunhas de Jeová, eles agiam como a encarnação do demônio, falavam mal do outro e constantemente cometiam pecados, ou eram hipócritas, isso não era só na minha família, ou na assembleia dos TJs, mas no mundo inteiro. Sempre fui orientada a não conversar com pessoas de outras religiões, até quando eu tinha 12 anos e um menino de 15 anos me salvou de ser atropelada por uma perseguição policial, eu fui conversando com ele até minha casa, e quando cheguei lá meu pai viu e expulsou ele, bem bravo, nunca passei tanta vergonha na minha vida, ele me esculachando, a família toda de platéia lá fora e os vizinhos vendo aquela família que nunca falava com eles, colocando seu verdadeiro demônio para fora. Por causa dessas e outras coisas, eu desenvolvi algumas síndromes e problemas que tenho até hoje, principalmente em questão de socialização, bem como o medo que sentia de conversar com outras pessoas por achar que representavam tudo de ruim no mundo, e que Jeová Deus não permitia. Lembro de uma festa na escola (na época os TJs eram novos na nossa cidade, até esse ponto uma escola das TJs havia sido criada na cidade mas meu pai estava tendo problemas burocráticos para me tirar de lá) e era uma festa tão linda, de páscoa, uma empresa nos deu ovos de chocolate e mostrou alguns vídeos e fotos sobre união em família e o que Jesus queria para a gente, no final cantamos o hino, porque o prefeito estava lá.. Cheguei em casa e meu pai descobriu que eu participei de festas pagãs e também cantei o hino nacional, ele me bateu e até hoje não esqueço toda a humilhação que ele me fez passar 😭😭 eu me escondi de baixo da cama, então ele tirou o colchão e ficou com a ponta da vassoura batendo em mim de baixo da cama, quebrou até meu dedo, e minha coluna ficou doendo por 2 meses, esse foi o estopim para logo logo meu pai me tirar da escola pública. Aos 14, conheci o movimento homossexual, a minha religião o abominava, mas eu achei uma luta justa pelos direitos iguais, e me lembrei do que Jesus disse no telão da escola na páscoa "eu amo a todos como iguais", e comecei a questionar se a bíblia foi algo criado por humanos para estabelecer seus controles sob outras pessoas e que Jesus não queria isso. Aos 15, meu irmão nasceu com 28 semanas e seis dias, ele tinha 1.2 kg, e precisou ser internado e precisando de transfusão de sangue, minha mãe não deixou.. e abriu um processo jurídico contra os médicos que queriam a todo custo impedir que o bebê morra, porque eles disseram "eu entrei para este trabalho para salvar vidas, o bebê que não tem chance de sobreviver sem o sangue, ele não tem consciência" e então no meio do processo jurídico que ficou demorado, ele morreu.. Foi uma péssima experiência, a família toda chorando, e foi aí que eu comecei a ter raiva da religião por ter matado meu irmão. Com o choque, fomos pro Japão quando eu tinha 15 anos, por causa de um amigo do meu pai, mesmo contra a minha vontade. Após isso, ninguém parava em casa a não ser eu, porque minha mãe e meu pai passavam o dia todo trabalhando na fábrica de confecção do amigo dele. Foi aí que eu conheci um garoto que era Brasileiro, ele me ajudou a ver o mundo de forma diferente, o que antes era medo e vontade de ir ao paraíso para finalmente a minha dor acabar, se transformou em amor, carinho, afeto, preocupação, eu tinha muito ciúmes dele na época por ele ser popular (nem tanto, mas como eu era extremamente anti-social eu achava), mas isso não dava briga, só fortalecia nossa amizade, ele me ensinou algumas coisas do idioma local também. Até que um dia eu e ele transamos, eu decidi contar para a minha mãe porque eu confiava nela, ou pelo menos o que os "outros" falavam sobre relação materna, aí depois disso, minha vida chegou ao inferno.. Ela começou a me ignorar, nem meu pai entendia, ela começou a delegar as tarefas de casa todas para mim, tendo dias que até mandava a empregada ficar em casa. E então ela decidiu contar para as testemunhas de Jeová que haviam no Japão, por julgamento, decidiram que eu deveria ser expulsa... E bem, 6 meses no Japão apenas e minha mãe me expulsou de casa, mesmo sem eu saber o idioma 😢 comecei a viver na rua, meus familiares até me viam na rua e me ignoravam, e eu me escondia do garoto que eu amava por achar que ele iria me julgar como todo mundo, até que um dia (4 dias após eu ter sido expulsa) ele me encontrou quando eu não estava vendo e me acolheu, me ofereceu até um emprego na fábrica do pai dele alguns anos depois, hoje em dia, ele é o meu marido e a pessoa com desejo ter 2 filhos 🥺❤️ viajamos o mundo, eu finalmente me libertei da religião, e conheci outras ótimas... Um tempinho depois, eu voltei a visitar meus parentes que não eram TJs, e foi aí que eu percebi que Jesus Cristo tinha dito "ame o próximo como ama a si mesmo" e as TJs não ensinavam isso, ensinavam a abandonar quem não era da religião, abandonar os familiares, aonde que isso é amor??? O problema é que muitas vezes testemunhaa de Jeová convertem pessoas vítimas de algum sofrimento na vida mostrando versículos da Bíblia específicos, mas não mostram todo o resto, que é o amor de Jesus Cristo, o seu principal ensinamento, após... Só tive um pouco de dificuldade para entrar no mercado pois passei a vida toda estudando a bíblia, e a escola pública era muito ruim, ainda mais numa cidade do interior. Hoje eu moro no Chile com meu marido, falamos 4 idiomas (inglês, português, espanhol, francês) e estamos planejando ir para a Austrália para assim nos casarmos e sermos felizes para sempre, e esquecermos o passado 🥰❤️
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2019.12.21 03:23 jvcscasio Ariadne, a cidade da rainha dragão

Essa é mais uma cidade do meu mundo homebrew de Parabellum. Espero que vocês consigam tirar ideias interessantes daqui.

Ariadne

Visão

Uma formação rochosa em forma de taça se eleva sobre um pequeno planalto rodeado de várias colinas cobertas de casas negras. Essas casas feitas de lama e ossos de wyvern são obscurecidas pela longa sombra projetada pela principal formação rochosa. Uma pequena escada liga as colinas a um pequeno platô e uma rampa leva ao topo da formação. A sombra faz com que a cidade abaixo fique em constante escuridão, então as pessoas usam o feitiço Chama Contínua dentro de lanternas azuis e rosas para iluminar as ruas, e a maior parte da cidade é atingida por "chuva", que na realidade é a água da parte superior caindo na cidade.

História

A rainha do dragão, Hwang-geum Tongchija, nasceu no topo dessa estranha formação rochosa no início de Parabellum. Ela é um dos primeiros seres a existir. Para acabar com sua solidão, ela criou cinco dragões metálicos para manter sua companhia e, quando viram a necessidade de acumular riqueza, decidiram criar criaturas para trabalhar para eles, Hwang-geum criou os kobolds, enquanto os outros dragões metálicos criaram os dragões.
Corrupção
O envenenamento por chumbo da rainha dragão está criando um campo mágico que chega longe da cidade e está mudando a natureza dracônica. Dragonborns que sentem culpa pelos erros que cometeram e dragonbrons com alinhamentos malignos estão começando a se tornar corruptos e a perder suas escalas metálicas por cromáticas. Há 25% de chance de que, ao entrar na cidade, um dragão cromático apareça. Role um d6 para decidir a cor do dragão: 1 - Preto, 2 - Azul, 3 - Verde, 4 - Vermelho, 5 - Branco, 6 - Sombra. Escolha uma "idade" para o dragão recém-nascido de acordo com o nível do seu grupo.
Sociedade
Ariadne é uma cidade de três níveis e governada por dragões metálicos, pois os dragões cromáticos ainda estão por vir à vida. A rainha do dragão, Hwang-geum Tongchija, governa junto com um conselho, cujos membros juntos têm o mesmo poder que ela. Os dragões vivem em um platô acima da cidade dracônica, alheios à maioria das transgressões entre sua criação, os draconatos.
Os dragonborns vivem no nível mais baixo da cidade, construindo casas sobre as colinas abaixo do platô, onde as casas mais altas são de propriedade dos cidadãos mais ricos e poderosos. Eles têm que pagar tributos aos dragões na forma de tesouros que compram, roubam ou conquistam. Alguns draconatos se tornaram proficientes em fazer jóias para esses fins. Os draconatos nunca encontram seus senhores, em vez disso, o tesouro é coletado e entregue a um grupo especial de draconianos que vivem nos castelos que bloqueiam a entrada do platô. A maioria dos dragonborns fala apenas dracônico, e aqueles que falam em comum costumam ter um ensino superior. A maioria das tábuas mágicas são escritas em comum e estão fora do alcance da maioria das pessoas comuns.
Terrasys
Terrasys (Terraforming systen) é um satélite que orbita Parabellum, pairando acima de Ariadne por volta das 16h. Os kobolds reaproveitaram a tecnologia para escanear a superfície em busca de criminosos procurados.
O sistema foi originalmente criado por seres humanos como um meio de encontrar fontes de carbono e transformá-las em gás com um feixe poderoso. No entanto, os kobolds inventivos encontraram esse sistema em Ariadne e assumiram o controle do raio, mirando em seus inimigos. Quem tem controle sobre o terminal no terceiro nível pode fazer um teste de inteligência CD 22 para comandar o satélite para atacar um ponto específico do mundo (desde que o satélite esteja sobre aquele local). O feixe causa 55 (10d10) de dano de fogo e 21 (6d6) de força.
Kobolds
Os kobolds no terceiro nível descobriram dados antigos sobre Tiamat e se tornaram cultistas da rainha do dragão diabólica. O plano deles é envenenar a rainha Hwang-geum, para que ela enlouqueça e depois prossiga com um ritual de sacrifício para transformá-la no avatar de Tiamat. O ritual inclui envenenamento por chumbo de um dragão de ouro até que ele enlouqueça e, em seguida, faça-o devorar cinco dragões metálicos, depois cantar uma invocação para Tiamat enquanto o dragão de ouro banha-se em sangue de dragão.
Sanjeog
Sanjeog é um grupo de criminosos que roubam tesouros dos viajantes e os usam para pagar os impostos e viver melhor do que em comparação com seus compatriotas que trabalham duro. Seu esconderijo é uma série de túneis sob a maior colina, com a única entrada secreta dentro de sua padaria, chamada Miànbao, de propriedade do mestre padeiro Miànbao Ji. O líder deles é Lupi An-ui, um veterano half-dragon azul que viaja com uma varinha de bolas de fogo pronta para disparar. Ele tem um acordo com o kobold chamado Fangpi, de quem compra itens mágicos em troca de parte do saque.
Yi Jí Zhànshì
Os Zhànshì são um grupo revolucionário que planeja derrubar os kobolds, seu plano atual é tentar contrabandear alguém para dentro do conselho no terceiro andar com histórias de como as pessoas estão vivendo mal, na esperança de que o conselho aprenda sobre suas vidas duras e decida mudar. O líder deles, Gemìng Hónsè, é um veterano nascido do dragão de ouro e acredita corretamente que os kobolds estão filtrando as informações que o conselho recebe para impedir que alterem a estrutura social que mantém os kobolds no poder. No entanto, ele está preocupado que algumas de suas escamas douradas estejam caindo e sendo substituídas por escamas vermelhas, a razão desconhecida por trás disso é que Gemìng está sendo corrompido pela culpa de matar uma criança durante um ataque rebelde a uma caravana kobold.

Primeiro nível - Diyiji

O primeiro nível, chamado Diyiji, é composto por várias colinas de diferentes tamanhos e centenas de casas, feitas com ossos de grandes animais e lama negra seca e colocadas sobre essas colinas de maneira desorganizada. A sobra da comida que os dragões comem é jogada nos níveis mais baixos, deixando a cidade com o aspecto de um aterro sanitário.
Os jogadores podem conhecer algumas personalidades notáveis ​​deste nível, como:
Gemìng Hóngsè, o líder dos revolucionários Zhànshì, passando seu tempo livre na biblioteca lendo tabuletas de guerra.
Miànbao Ji, o padeiro mestre da cidade, responsável por alimentar as centenas de habitantes da cidade, com pão muito abaixo do preço normal (graças ao patrocínio do grupo criminoso Sanjeog).
Nosugja Namja, um plebeu sem teto commoner com 1 hp que enlouqueceu depois de beber água venenosa de uma fonte na floresta de cerberus, ele sempre pede dinheiro e, se receber alguma coisa, joga o dinheiro na pessoa dizendo que não vai aceitar desrespeito dos outros.
Agmaui Yeoja é um guarda da cidade que passa seu tempo livre no DRAG no pub da cidade. Ele é um espião secreto dos revolucionários Zhànshì.
Ming, um commoner dragonborn de cobre que deseja fugir da cidade e viver uma vida de crime, mas não pôde se juntar ao Sanjeog por sua falta de discrição e incapacidade de mentir.
Locais no primeiro nível:
A A.G. é uma enorme fábrica onde 96% das dragas trabalham, recebendo 1% das jóias produzidas por elas como pagamento (apenas o suficiente para cobrir os impostos exigidos pelos kobolds). Uma gigante senzala com mesas compridas, onde milhares de pedras preciosas e barras de ouro são derretidas com sopro de dragão, batidas e moldadas em jóias pelos trabalhadores mal pagos. Jaebeol é o dono do lugar, dragonborn branco, mas ele não é encontrado em nenhum lugar, pois na maioria das vezes ele está viajando pelo mundo com o dinheiro que ganha.
O albergue Hoseutel é o único local disponível para os viajantes dormirem e está cheio dos clientes estranhos. Cada quarto custa 1 peça de ouro por dia, por pessoa e tem o mínimo necessário para ser considerado um albergue. Os alimentos podem ser pedidos separadamente e sempre são servidos frios e encharcados. Entre as pessoas que ficam aqui estão um druida anão chamado Qazam de Apollinaris que vende todas as poções incomuns no DMG, um mago githyanki chamado Inigida procurando o book of vile darkness que ele acredita ter caído neste mundo, e um halfling plebeu chamado Viśrānti viajando ao redor do mundo.
A padaria Miànbao é o esconderijo secreto do grupo criminoso Sanjeog, que rouba dinheiro dos viajantes draconatos e estrangeiros para obter itens mágicos, entre outras coisas, dos kobolds no terceiro nível. Acessar o esconderijo exige que um nascido do dragão diga a senha para Miànbao Ji, que é "pão sem ovo". Os personagens que passam algum tempo na padaria terão vislumbres de alguns membros entrando nos fundos da loja dizendo coisas como "Eu vim pelo pão sem ovo" e "Posso comprar um pão sem ovo, chefe?"
O pub Nun-ui Yong é um pub degradado feito com o que parece ser ossos de dragão e madeira escura. Os buracos no teto fazem com que a água da chuva caia sobre os clientes enquanto eles bebem cerveja e sakê doce. Sendo o único pub de verdade na cidade, a maioria das pessoas não se importa com a qualidade da comida ou com as condições do local, desde que obtenham o que pediram.
A delegacia é onde menores criminosos são mantidos antes de serem julgados. Gyeongchal é o chefe corrupto da polícia, um draconato branco prateado, com um belt of dwarvenkind que ele recentemente recebeu de Sanjeog e gloves of snaring missiles que lhe permitem reduzir ataques de armas à distância em 1d10 + seu modificador de destreza. Se os personagens são pegos por algum crime, como roubo ou assassinato, eles passam 1d4 + 2 horas esperando por um julgamento, onde Gyeongchal decide que eles são culpados e colocam seus nomes para extermínio por Terrasys, pois ele realmente não se importa o suficiente para manter criminosos trancados aumentando seu trabalho. É mais fácil envia-los para serem alvejados pela luz mágica nos céus.
As escadas do segundo nível são longas e grandes, feitas de ossos e lama que levam as pessoas ao segundo nível, um platô de 100 pés. acima da colina mais alta.
Silheomsil é um laboratório escondido na base do platô, veja mais abaixo.
Taiteuhan Maejang é o mercado da cidade, centenas de dragonborn passam o dia lotando as quatro ruas que compõem o que é apelidado de mercado de terra. Dezenas de vendedores ambulantes colocam seus itens sobre mesas de madeira e osso, gritando um com o outro e chamando os clientes a experimentarem frutas ou carne. As pessoas vendem e usam drogas abertamente nessas ruas e não é incomum ver alguém desmaiado sendo assaltado. Os membros da Sanjeog ganham dinheiro nesse mercado vendendo itens mágicos incomuns e raros que não desejam mais.
Missões no primeiro nível:
Picada de mosquito
Os agentes de Sanjeog descobriram que um item mágico chamado “Mordida de Mosquito” (adaga que cura 1d4 com 3 cargas diárias) está na posse de um viajante gith noble que está passando pela cidade procurando comprar drogas. O githzerai, que leva o nome de Nullak Azarzig, é atacado quando os PCs passam pelo mercado. Ele lhes dá 400gp se eles o protegerem e salvarem sua adaga. Se eles não fizerem nada, no dia seguinte a adaga estará disponível para compra no mercado. O grupo de atacantes consiste em três bandits draconatos de cobre e um bandit captain dragonborn.
Criança perdida
Eomeoni é uma plebéia draconata de cobre, cujo filho fugiu para o segundo nível. Ela está disposta a dividir com três dias em rações (toda a comida que ela possui) em troca de seu filho. A criança, Adeul, pode ser encontrada no segundo nível dentro de 1d4 horas e está disposta a voltar com os personagens, se eles forem amigáveis.
O oblex
Sasil é um draconato de ouro noble que vive em uma das colinas mais altas da cidade. Ela está preocupada com sua criada draconata de cobre, que está agindo de forma estranha. Ela pergunta se alguém pode falar com a empregada e investigar. A empregada, chamada Gajeongbu, está angustiada depois de descobrir o marido de seu chefe, um draconato de prata chamado Geojis foi substituído por um Oblex adulto, embora a empregada não saiba o que é um oblex, ela sabe que o draconato cheira e fala de maneira estranha. Ao ser descoberto, o oblex mata e assume o lugar de Sasil, tenta demitir os heróis além de consumir a criada.
Porta estranha
Um draconato desabrigado, cujo nome há muito esquecido, diz que viu uma porta na base da pedra do terceiro nível. Se os personagens investigarem com ele, encontrarão a porta do laboratório Silheomsil.
Ajude os Stormcloaks
Banlangun é um draconato de prata do grupo Zhànshì que está tentando levar uma caixa de alimentos altamente calóricos de Apollinaris para Ariadne, para alimentar os pobres em sua região de controle, mas a caravana foi atacada por um wyvern a caminho e perdeu a comida. Ele paga aos personagens que ajudam com qualquer arma +1.
Ajude a padaria
A padaria Miànbao está contratando pessoas suspeitas para espancar dois jovens bandidos que não pagaram pelo "pão". Os jovens drogados são dois draconatos de cobre chamados Malih e Wana e podem ser encontrados usando drogas em uma casa abandonada.

Segundo nível - Dierji

O segundo nível, chamado Dierji, é o local reservado para os dragões menores que ainda são considerados superiores aos draconatos. É uma milha de largura e duas milhas de comprimento. Para atingir esse nível, você precisa subir as escadas do segundo nível ou voar 100 pés da colina mais alta da cidade. Das escadas, os personagens encontram uma estrada dourada que leva aos portões do terceiro nível, enquanto nesta estrada, os personagens não são atacados por nenhuma criatura do segundo andar.
Aqui drakes, wyverns e pseudodragon vivem em uma floresta de árvores esparsas e chão rochoso, com a maioria dos alimentos sendo os restos dos banquetes dos dragões no nível mais alto.
O grande monte coberto de plantas e musgo visto no meio deste andar é uma tartaruga-dragão criada tristemente por Partum Lapis longe da água. Incapaz de deixar o platô, a tartaruga-dragão descansa, aguardando algumas mudanças e permite que ela voe para longe ou se teleporte para o oceano, o nome da tartaruga-dragão é Olaedoen San. Para cada hora que se move por esse nível, role para a tabela de encontros aleatórios:
d100 Encontro : ---: : ------------ 1 - 25 Nada. 26 - 40 1d4 + 2 guarda azul drakes. 41 - 55 1d4 - 1 wyverns (min. 1). 56 - 70 1d6 pseudodragões. 71 - 99 1d4 preto guarda drakes liderar por 1 guarda vermelho drake. 100 Olaedoen San
Para alcançar o terceiro nível, os personagens devem andar pela estrada dourada, uma caminhada de uma hora feita pelos kobolds para esgotar quem tentar alcançá-los. Deixar a trilha reduz a viagem para 20 minutos, mas as câmeras na floresta registram os rostos dos personagens e enviam para a Terrasys. Observar a câmera antes de ser gravada exige um teste de Sabedoria (percepção) CD 18.

Terceiro nível - Shenji

O terceiro nível, chamado Shenji, é o lar dos verdadeiros dragões metálicos. Elas vivem em êxtase ignorante, recebendo tesouros e comida dos kobolds, que lentamente envenenam a rainha em um monstro maligno ganancioso, para seu ritual. Esse envenenamento faz com que ela às vezes aja como seu equivalente maligno.
O plano kobold
Trinta kobolds moram no terceiro andar, comandados por Lashi, um artífice kobold de pele vermelha com um arco curto +1. O plano deles é fazer com que a rainha do dragão Hwang-geum devore seus subordinados durante um eclipse duplo (quando as duas luas cruzam o sol ao mesmo tempo). Fangpi, um warlock kobold de pele vermelha, com uma capa de banco de montanhas, é o responsável para o ritual e o veneno alimentar, ele nunca sai da sala do trono. Chuwanwei é um inventor kobold de pele azul com um anel de proteção e uma inteligência de 23, que é o único capaz de comandar a Terrasys, usando um computador antigo que ela consertou usando livros encontrados no laboratório.
Os jogadores podem encontrar alguns dragões neste nível:
Huang Tóng é uma dragão de bronze adulta faladora e curiosa, ela rapidamente aprende novos idiomas e gosta de perguntar sobre a cultura local. Ela tem muito medo de ir contra a rainha e voará para longe em caso de briga.
Qīng Tóng é uma dragão de bronze adulta, animada e contente, que gosta de assumir a raça da pessoa com quem está falando. Ela pode ser convencida a vir para o lado dos jogadores, se eles parecerem curiosos e aventureiros.
Long Tóng é uma dragão de cobre adulta sempre cercada por fairy dragons que ela chama de filhos, eles adoram brincar com outros dragões e kobolds. Ela tentará parar qualquer briga que aconteça, até a morte.
Yín Dàshī é uma dragão prateada adulta preguiçosa, que passa a maior parte do tempo dormindo e contemplando sua reflexão sobre as jóias que possui. Ela é leal à rainha do dragão e a defenderá a todo custo.
Jīn Tàiyáng é uma dragão de ouro adulta estudiosa, mas cautelosa, ela finge comer a comida que os kobolds lhe trazem, mas à noite ela caça pássaros para se alimentar. Ela é magra e fraca, mas já suspeita das tramas dos kobolds. Se ela conseguir uma desculpa para deixar o palácio e investigar, ela irá. Ela é a única pessoa que ajudaria os personagens com qualquer coisa que eles precisassem sem precisar convencer o necessário.
Hwang-geum é a rainha do dragão de Ariadne, ela foi envenenada pelos kobolds e seu corpo mostra sinais de corrupção. Em vez de ficar completamente coberta de ouro, Hwang-geum tem uma energia escura fluindo sob suas escamas, o que é visível para quem olha atentamente para seu corpo ou à vista de todos quando olha para seus olhos. Suas escamas de ouro também estão se tornando cromáticas, com cores diferentes crescendo em lugares diferentes. Ela se comporta como um dragão de ouro na maioria das vezes, no entanto, quanto mais tempo uma conversa é, mais impaciente ela se torna e mais violenta.
Hwang-geum é uma dragão de ouro adulto com o seguinte ataque de sopro no lugar do sopro de fogo: ___ > Respiração por plasma (custa 3 ações). Hwang-geum respira uma explosão de plasma quente em um cone de 90 pés. Cada criatura nessa área deve fazer um teste de resistência de Destreza CD 21, recebendo 72 (16d8) de dano de fogo em um teste que falhou, ou metade do dano em um teste de sucesso. Todo objeto de metal em contato com a respiração começa a brilhar em brasa. Qualquer criatura em contato físico com esses objetos recebe 9 (2d8) de dano de fogo. Se uma criatura estiver segurando ou usando os objetos e sofrer o dano, a criatura deve ter sucesso em um teste de resistência à Constituição ou soltar o objeto, se puder. Se não soltar o objeto, ela tem desvantagem nas jogadas de ataque e nos testes de habilidade até o início do seu próximo turno. Se os kobolds conseguem corromper Hwang-geum, ela se torna uma Tiamat Falha.
Locais no terceiro nível:
Os túneis de entrada são uma série de intricados corredores esculpidos e guardados por kobolds para impedir que alguém veja os dragões sem permissão. A movimentação pelos túneis garante encontrar pelo menos uma patrulha de 2d6 kobolds e 1d4 kobold inventores.
A sala do trono é conectada ao laboratório pelo elevador e conectada à parte externa através dos túneis de entrada. Três dragões estão sempre aqui, conversando frivolamente sobre filosofia e vida, às vezes discutindo fervorosamente a ética, o bem e o mal. No entanto, uma vez por mês, Hwang-geum chega ao trono, e todos sentam-se em silêncio enquanto a rainha faz discursos incoerentes sobre traição e conspiração, após o qual ela volta ao seu covil para comer e ter delirantes discursos por si mesma, planejando e descobrindo coisas que não são reais.
Fonte mágica Esta fonte mágica brilha uma luz amarela brilhante sobre os jardins, pois cria 1d4 gramas de ouro a cada hora.
O covil do conselho é um jardim gigantesco onde o conselho mora, cada dragão tem um lugar favorito, Huang dorme sobre uma enorme árvore nas margens do jardim, Qing construiu casas de diferentes raças para viver, e cada dia ela dorme parecendo um diferente Por um lado, Longa vida entre as flores e dorme em um monte perto da floresta, Yín dorme o dia todo no seu tesouro perto de Hwang-geum e Jīn quase nunca dorme, em vez de voar para o primeiro nível e ouvir a conversa nas ruas.
O Great Wyrm Lair é uma antena parabólica que se comunica com a Terrasys, que também serve como o covil de Hwang-geum. O prato tem 1.000 pés de amplitude está cheio de tesouros dos impostos que os draconatos pagam, todo mês seu tesouro aumenta enormemente, mas sua ganância nunca acaba. Um personagem pode acessar o controle direto dos Terrasys na base da antena parabólica com três verificações bem-sucedidas de inteligência DC 20 usadas para compreender e assuma o controle do satélite, cada verificação executa uma ação.
Tesouro: 42.000 peças de ouro, 3.300 peças de platina, uma cota de malha +1, uma espada vorpal, um caixão de criança em ouro puro (7500gp), espada longa dourada com bainha de platina (7500gp), 5000gp em escamas douradas, um trono de cristal feito por elfos de Granicus (5000gp), um mármore brilhante feito de éter puro (4000gp), a cabeça com joias do primeiro gigante nascido neste mundo (4000gp), uma corrente de ouro (2000gp), uma harpa de Granicus (2000gp), um escudo de bronze com um diamante no centro (500gp).

Lab Silheomsil

Entrada
Para entrar pela primeira porta, os caracteres devem passar por uma verificação de Inteligência DC20 (investigação) que permite que eles encontrem um botão oculto ainda funcionando. A porta no final da entrada só abrirá quando todos estiverem do lado de fora. O salão bombeia a sala cheia de ar e abre a segunda porta do vestiário.
O vestiário está cheio de roupas rasgadas e podres, a maioria ainda dentro dos guarda-roupas de metal. Os personagens podem avançar para o segundo andar por escadas, pois o cofre do elevador está vazio nesse andar. Um espectro de uma cientista morta chamada Moriana Bohn percorre este andar, atacando à primeira vista.
Armazenamento
O armazenamento contém dezenas de caixas de madeira cheias de pedras e sujeira que costumavam ser estudadas pelos cientistas deste laboratório.
Um personagem que investiga a sala encontra documentos detalhando estudos sobre a terraformação de um planeta chamado Marte, sobre a quantidade de oxigênio e hidrogênio no solo e as plantas para um poderoso sistema de aquecimento a ser colocado em um satélite. Os personagens podem avançar para o terceiro andar através de escadas, pois o cofre do elevador está vazio nesse andar.
Laboratório
Um único computador está quebrado no chão e as escadas para o quarto nível estão enterradas sob toneladas de pedras. Sobre os papéis de mesa de metal, cheios de cálculos para o satélite, estão sob o corpo de um cientista, que segura uma faixa de intelecto. Interagir com o corpo desperta o fantasma do cientista, que acredita que os personagens estão tentando roubar sua pesquisa. Na vida, seu nome era Edd Murray e ele é tão implacável na morte quanto na vida, quando lançava estagiários no deserto do planeta marciano com apenas um tanque de oxigênio se eles não obtivessem os resultados que ele esperava. Os personagens podem entrar no elevador neste andar e rastejar através de um buraco no teto para alcançar o quarto andar.
Sala de jantar
Comida podre por trezentos anos repousa sobre a mesa central, enquanto um fogão a gás enche a sala com gás explosivo. Qualquer feitiço ou faísca de fogo criado dentro desta sala explode a sala inteira, fazendo com que todos dentro sofram 2d6 de dano de fogo e a sala fique sem ar por três minutos. Duas sombras atacam bons caracteres alinhados assim que chegam à mesa. Os personagens podem avançar para o quinto andar através de escadas, pois o cofre do elevador está vazio nesse andar.
Quartos de dormir
Os corpos de três cientistas estão no chão, ainda em suas camas. Dois deles eram casados, e o marido agora é um Allip depois de um sonho ter vislumbres do futuro, o fim dos seres humanos e o nascimento da magia. Ele tenta colocar na mente do personagem visões de humanos tocando um meteorito e depois se tornando ladrões. Os personagens podem avançar para o sexto andar por escadas, pois o cofre do elevador está vazio nesse andar.
2 quartos
Cinco cientistas voltaram à vida como zumbis irracionais e vagam pelo chão tentando comer qualquer coisa que possam ver. Os personagens podem avançar para o sétimo andar através de escadas, pois o cofre do elevador está vazio nesse andar.
Centro de Controle
Um laptop em funcionamento neste andar é administrado por Ling Yao, um artífice kobold. Um grande datacenter registra tudo, de posições a rostos de criminosos procurados. Ling insere criminosos aqui para permitir que os Terrasys os eliminem.
Ele é acompanhado por sua torre, dez guardas kobold e um veterano kobold. O datacenter tem um AC de 20 e 200 pontos de vida. Uma vez destruído, o Terrasys é incapaz de atingir qualquer pessoa específica. Os personagens podem usar e modificar dados no computador com três testes de inteligência bem-sucedidos do DC 20. Os personagens podem alcançar o nível da sala do conselho através do poço do elevador.
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2019.07.18 19:18 altovaliriano O Clube das Senhoras Mortas

Link: https://bit.ly/2JFSJ6B
Autor: Lauren (autodescrita como "dona de pre-gameofthrones e asoiafuniversity")

“Senhoras morrem ao dar à luz. Ninguém canta canções sobre elas.”
O Clube das Senhoras Mortas é um termo que eu inventei por volta de 2012 para descrever o Panteão de personagens femininas subdesenvolvidas em ASOIAF a partir da geração anterior ao início da história.
É um termo que carrega críticas inerentes a ASOIAF, que esta postagem irá abordar, em um ensaio dividido em nove partes. A primeira, segunda e a terceira parte deste ensaio definem o termo em detalhes. As seções subsequentes examinam como essas mulheres foram descritas e por que este aspecto de ASOIAF merece críticas, explorando a permeabilidade da trope das mães mortas na ficção, o uso excessivo de violência sexual ao descrever estas mulheres e as diferenças da representação do sacrifício masculino versus o sacrifício feminino na narrativa de GRRM.
Para concluir, eu afirmo que a maneira como estas mulheres foram descritas mina a tese de GRRM, e ASOIAF – uma série que eu considero como sendo uma das maiores obras de fantasia moderna – fica mais pobre por causa disso.
*~*~*~*~
PARTE I: O QUE É O CLUBE DAS SENHORAS MORTAS [the Dead Ladies Club]?
Abaixo está uma lista das mulheres que eu pessoalmente incluo no Clube das Senhoras Mortas [ou simplesmente CSM]. Esta lista é flexível, mas é geralmente sobre quem as pessoas estão falando quando falam sobre o CSM [DLC, no original]:
  1. Lyanna Stark
  2. Elia Martell
  3. Ashara Dayne
  4. Rhaella Targaryen
  5. Joanna Lannister
  6. Cassana Estermont
  7. Tysha
  8. Lyarra Stark
  9. A Princesa Sem Nome de Dorne (mãe de Doran, Elia, e Oberyn)
  10. Mãe sem Nome de Brienne
  11. Minisa Whent-Tully
  12. Bethany Ryswell-Bolton
  13. EDIT – A Esposa do Moleiro - GRRM nunca deu nome a ela, porém ela foi estuprada por Roose Bolton e deu à luz a Ramsay
  14. Eu posso estar esquecendo alguém.
A maioria do CSM é composta de mães, mortas antes de a série começar. Deliberadamente, eu uso a palavra "panteão" quando estou descrevendo o CSM, porque, como os deuses da mitologia antiga, estas mulheres normalmente exercem grande influência ao longo da vida de nossos atuais POVs e sua deificação é em grande parte o problema. As mulheres do CSM tendem a ser fortemente romantizadas ou fortemente vilanizadas pelo texto; ou em um pedestal ou de joelhos, para parafrasear Margaret Attwood. As mulheres do CSM são descritas por GRRM como pouco mais do que fantasias masculinas e tropes batidos, definidas quase que exclusivamente por sua beleza e magnetismo (ou falta disso). Elas não têm qualquer voz própria. Muitas vezes elas sequer têm nome. Elas são frequentemente vítimas de violência sexual. Elas são apresentadas com pouca ou nenhuma escolha em suas histórias, algo que eu considero como sendo um lapso particularmente notório quando GRRM diz que são nossas escolhas que nos definem.
O espaço da narrativa que é dado a sua humanidade e sua interioridade (sua vida interior, seus pensamentos e sentimentos, à sua existência como indivíduos) é mínimo ou inexistente, que é uma grande vergonha em uma série que foi feita para celebrar a nossa humanidade comum. Como posso ter fé na tese de ASOIAF, que as vidas das pessoas "tem significado, não sua morte", quando GRRM criou um círculo de mulheres cujo principal, se não único propósito, era morrer?
Eu restringi o Clube das Senhoras Mortas às mulheres de até duas gerações atrás porque a Senhora em questão deve ter alguma conexão imediata com um personagem POV ou um personagem de segundo escalão. Essas mulheres tendem a ser de importância imediata para um personagem POV (mães, avós, etc.), ou no máximo elas estão a um personagem de distância de um personagem POV na história principal (AGOT - ADWD +).
Exemplo #1: Dany (POV) – > Rhaella Targaryen
Exemplo #2: Davos (POV) – > Stannis – > Cassana Estermont
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PARTE II: "E AGORA, DIGA O NOME DELA."
Lyanna Stark, "linda e voluntariosa, e morta antes do tempo". Sabemos pouco sobre Lyanna além de quantos homens a desejaram. Uma figura tipo Helena de Troia, um continente inteiro de homens lutou e morreu porque "Rhaegar amou sua Senhora Lyanna". Ele a amava o suficiente para trancá-la em uma torre, onde ela deu à luz e morreu. Mas quem era ela? Como ela se sentiu sobre qualquer um desses eventos? O que ela queria? Quais eram suas esperanças, seus sonhos? Sobre isto, GRRM permanece em silêncio.
Elia Martell, "gentil e inteligente, com um coração manso e uma sagacidade doce." Apresentada na narrativa como uma mãe e uma irmã morta, uma esposa deficiente que não poderia dar à luz a mais filhos, ela é definida unicamente por suas relações com vários homens, com nenhuma história própria além de seu estupro e assassinato.
Ashara Dayne, a donzela na torre, a mãe de uma filha natimorta, a bela suicida, não temos quaisquer detalhes de sua personalidade, somente que ela foi desejada por Barristan o Ousado e Brandon ou Ned Stark (ou talvez ambos).
Rhaella Targaryen, Rainha dos Sete Reinos por mais de 20 anos. Sabemos que Aerys abusou e estuprou para conceber Daenerys. Sabemos que ela sofreu muitos abortos. Mas o que sabemos sobre ela? O que ela achou do desejo de Aerys de fazer florescer os desertos dorneses? O que ela passou fazendo durante 20 anos quando não estava sendo abusada? Como ela se sentiu quando Aerys mudou a corte de Rochedo Casterly por quase um ano? Não temos respostas para qualquer uma dessas perguntas. Yandel escreveu todo um livro de história de ASOIAF fornecendo muitas informações sobre as personalidades e peculiaridades e medos e desejos de homens como Aerys e Tywin e Rhaegar, então eu conheço quem são esses homens de uma forma que não conheço as mulheres no cânone. Não acho que seja razoável que GRRM deixe a humanidade de Rhaella praticamente em branco quando ele teve todo O Mundo de Gelo e Fogo para detalhar sobre personagens anteriores a saga, e ele poderia facilmente ter escrito uma pequena nota lateral sobre a Rainha Rhaella. Temos uma porção de diários e cartas e coisas sobre os pensamentos e sentimentos de rainhas medievais do mundo real, então por que Yandel (e GRRM) não nos informaram um pouco mais sobre a última rainha Targaryen nos Sete Reinos? Por que nós não temos uma ilustração de Rhaella em TWOIAF?
Joanna Lannister, desejada por ambos um Rei e um Mão do Rei e feita sofrer por isso, ela morreu dando à luz Tyrion. Sabemos do "amor que havia entre" Tywin e Joanna, mas detalhes sobre ela são raros e distantes. Em relação a muitas destas mulheres, as escassas linhas no texto sobre elas deixam frequentemente o leitor a perguntar, "bem, o que exatamente isso que dizer?". O que exatamente significa que Lyanna fosse voluntariosa? O que exatamente significa que Rhaella fosse consciente de seu dever? Joanna não é exceção, com a provocativa (ainda que frustrantemente vaga) observação de GRRM de que Joanna "governava" Tywin em casa. Joanna é meramente um esboço grosseiro no texto, como um reflexo obscuro.
Cassana Estermont. Honestamente eu tentei recordar uma citação sobre Cassana e percebi que não houve qualquer uma. Ela é um amor afogado, a esposa morta, a mãe morta, e não sabemos de mais nada.
Tysha, uma adolescente que foi salva de estupradores, apenas para sofrer estupro coletivo por ordem de Tywin Lannister. O paradeiro dela tornou-se algo como um talismã para Tyrion em ADWD, como se encontrá-la fosse libertá-lo da longa e negra sombra de seu pai morto, mas fora a violência sexual que ela sofreu, não sabemos mais nada sobre essa garota humilde exceto que ela amava um menino considerado pela sociedade westerosi como indigno de ser amado.
Quanto a Lyarra, Minisa, Bethany e as demais, sabemos pouco mais que seus nomes, suas gravidezes e suas mortes, e de algumas não temos sequer nomes.
Eu por vezes incluo Lynesse Hightower e Alannys Greyjoy como membras honorárias, apesar de que, obviamente, elas não estejam mortas.
Eu disse acima que as mulheres do CSM ou são postas em um pedestal ou colocadas de joelhos. Lynesse Hightower se encaixa em ambos os casos: foi-nos apresentada por Jorah como uma história de amor saída direto das canções, e vilanizada como a mulher que deixou Jorah para ser uma concubina em Lys. Nas palavras de Jorah, ele odeia Lynesse, quase tanto quanto a ama. A história de Lynesse é definida por uma porção de tropes batidas; ela é a “Stunningly Beautiful” “Uptown Girl” / “Rich Bitch” “Distracted by the Luxury” até ela perceber que Jorah é “Unable to support a wife”. (Todos estes são explicados no tv tropes se você quiser ler mais.) Lynesse é basicamente uma encarnação da trope gold digger sem qualquer profundidade, sem qualquer subversão, sem aprofundar muito em Lynesse como pessoa. Mesmo que ela ainda esteja viva, mesmo que muitas pessoas ainda vivas conheçam-na e sejam capazes de nos dizer sobre ela como pessoa, elas não o fazem.
Alannys Greyjoy eu inclui pessoalmente no Clube das Senhoras Mortas porque sua personagem se resume a uma “Mother’s Madness” com pouco mais sobre ela, mesmo que, novamente, não esteja morta.
Quando eu incluo Lynesse e Alannys, cada região nos Sete Reinos de GRRM fica com pelo menos uma do CSM. Foi uma coisa que se sobressaiu para mim quando eu estava lendo pela primeira vez – quão distribuídas estão as mães mortas e mulheres descartadas de GRRM, não é só em uma Casa, está em todos os lugares da obra de GRRM.
E quando digo "em toda a obra do GRRM," eu quero dizer em todos os lugares. Mães mortas em segundo plano (normalmente no parto) antes de a história começar é um trope que GRRM usa ao longo de sua carreira, em Sonho Febril, Dreamsongs e Armageddon Rag e em seus roteiros para TV. Demonstra falta de imaginação e preguiça, para dizer o mínimo.
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PARTE III: QUEM NÃO SÃO ELAS?
Mulheres históricas e mortas há muito tempo, como Visenya Targaryen, não estão incluídas no Clube das Senhoras Mortas. Por que, você pergunta?
Se você for até o americano comum na rua, provavelmente será capaz de lhe dizer algo sobre a mãe, a avó, a tia ou alguma outra mulher em suas vidas que seja importante para eles, e você pode ter uma ideia sobre quem eram essas mulheres como pessoas. Mas o americano médio provavelmente não poderá contar muito sobre Martha Washington, que viveu séculos atrás. (Se você não é americano, substitua “Martha Washington” pelo nome da mãe de uma figura política importante que viveu há 300 anos. Sou americana, então este é o exemplo que estou usando. Além disso, eu já posso ouvir os nerds da história protestando - sente-se, você está nitidamente acima da média.).
Da mesma forma, o westerosi médio deve (misoginia à parte) geralmente ser capaz de lhe dizer algo sobre as mulheres importantes em suas vidas. Na história da vida de nosso mundo, reis, senhores e outros nobres compartilharam ou preservaram informações sobre suas esposas, mães, irmãs e outras mulheres, apesar de terem vivido em sociedades medievais extremamente misóginas.
Então, não estou falando “Ah, meus deus, uma mulher morreu, fiquem revoltados”. Não é isso.
Eu geralmente limito o CSM às mulheres que morreram recentemente na história westerosi e que tiveram suas humanidades negadas de uma maneira que seus contemporâneos do sexo masculino não tiveram.
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PARTE IV: POR QUE ISSO IMPORTA?
O Clube da Senhoras Mortas é formado por mulheres de até duas gerações passadas, sobre as quais devemos saber mais, mas não sabemos. Nós sabemos pouco mais além de que elas tiveram filhos e morreram. Eu não conheço essas mulheres, exceto através do fandom transformativo. Eu conheci muito sobre os personagens masculinos pré-série no texto, mas cânone não me dá quase nada sobre essas mulheres.
Para copiar de outra postagem minha sobre essa questão, é como se as Senhoras Mortas existissem na narrativa do GRRM apenas para serem abusadas, estupradas, parir e morrer para mais tarde terem seus semblantes imutáveis moldados em pedra e serem colocadas em pedestais para serem idealizadas. As mulheres do Clube das Senhoras Mortas não têm a mesma caracterização e evolução dos personagens masculinos pré-série.
Pense em Jaime, que, embora não seja um personagem pré-série, é um ótimo exemplo de como o GRRM pode usar a caracterização para brincar com seus leitores. Começamos vendo Jaime como um babaca que empurra crianças de janelas (e não me entenda mal, ele ainda é um babaca que empurra crianças para fora das janelas), mas ele também é muito mais do que isso. Nossa percepção como leitores muda e entendemos que Jaime é bastante complexo, multicamadas e cinza.
Quanto a personagens masculinos mortos pré-série, GRRM ainda consegue fazer coisas interessantes com suas histórias, e transmitir seus desejos, e brincar com as percepções dos leitores. Rhaegar é um excelente exemplo. Os leitores vão da versão de Robert da história, de que Rhaegar era um supervilão sádico, à ideia de que o que quer que tenha acontecido entre Rhaegar e Lyanna não foi tão simples como Robert acreditava, e alguns fãs progrediam ainda mais para essa ideia de que Rhaegar era fortemente motivado por profecias.
Mas nós não temos esse tipo de desenvolvimento de personagens com as Senhoras Mortas. Por exemplo, Elia existe na narrativa para ser estuprada e morrer, e para motivar os desejos de Doran por justiça e vingança, um símbolo da causa dornesa, um lembrete da narrativa de que são os inocentes que mais sofrem no jogo dos tronos. . Mas nós não sabemos quem ela era como pessoa. Nós não sabemos o que ela queria na vida, como ela se sentia, com o que ela sonhava.
Nós não temos caracterização do CSM, nós não temos mudanças na percepção, mal conseguimos qualquer coisa quando se trata dessas mulheres. GRRM não escreve personagens femininas pré-série da mesma maneira que ele escreve personagens masculinos pré-série. Essas mulheres não recebem espaço na narrativa da mesma forma que seus contemporâneos masculinos.
Pensa na Princesa Sem Nome de Dorne, mãe de Doran, Elia e Oberyn. Ela era a única governante feminina de um reino enquanto a geração Rebelião de Robert estava surgindo, e ela também é a única líder de uma grande Casa durante esse período cujo nome não temos.
O Norte? Governado por Rickard Stark. As Terras Fluviais? Governadas por Hoster Tully. As Ilhas de Ferro? Governadas por Quellon Greyjoy. O Vale? Governado por Jon Arryn. As Terras Ocidentais? Governadas por Tywin Lannister. As Terras da Tempestade? Steffon, e depois Robert Baratheon. A Campina? Mace Tyrell. Mas e Dorne? Apenas uma mulher sem nome, ops, quem diabos liga, quem liga, por se importar com um nome, quem precisa de um, não é como se nomes importassem em ASOIAF, né? *sarcasmo*
Não nos deram o nome dela nem em O Mundo de Gelo e Fogo, ainda que a Princesa Sem Nome tenha sido mencionada lá. E essa falta de um nome é muito limitante - é tão difícil discutir a política de um governante e avaliar suas decisões quando o governante nem sequer tem um nome.
Para falar mais sobre o anonimato das mulheres... Tysha não conseguiu um nome até o A Fúria dos Reis. Apesar de terem sido mencionadas nos apêndices do livro 1, nem Joanna nem Rhaella foram nomeadas dentro da história até o A Tormenta de Espadas. A mãe de Ned Stark não tinha um nome até surgir a árvore genealógica no apêndice da TWOIAF. E quando a Princesa Sem Nome de Dorne conseguirá um nome? Quando?
Quando penso nisso, não posso deixar de pensar nesta citação: "Ela odiava o anonimato das mulheres nas histórias, como se elas vivessem e morressem só para que os homens pudessem ter sacadas metafísicas." Muitas vezes essas mulheres existem para promover os personagens masculinos, de uma forma que não se aplica a homens como Rhaegar ou Aerys.
Eu não acho que GRRM esteja deixando de fora ou atrasando esses nomes de propósito. Eu não acho que GRRM está fazendo nada disso deliberadamente. O Clube das Mulheres Mortas, em minha opinião, é o resultado da indiferença, não de maldade.
Mas esses tipos de descuidos, como a princesa de Dorne, que não têm nome, são, em minha opinião, indicativos de uma tendência muito maior - GRRM recusa dar espaço a essas mulheres mortas na narrativa, ao mesmo tempo em que proporciona espaço significativo aos personagens masculinos mortos ou anteriores à série. Esta questão, em minha opinião, é importante para a teoria espacial feminista - ou as maneiras pelas quais as mulheres habitam ou ocupam o espaço (ou são impedidas de fazê-lo). Algumas acadêmicas feministas argumentam que mesmo os “lugares” ou “espaços” conceituais (como uma narrativa ou uma história) influenciam o poder político, a cultura e a experiência social das pessoas. Essa discussão provavelmente está além do escopo desta postagem, mas basicamente argumenta-se que as mulheres e meninas são socializadas para ocupar menos espaço do que os homens em seus arredores. Assim, quando o GRRM recusa o espaço narrativo para as mulheres pré-série de uma forma que ele não faz para os homens pré-série, sinto que ele está jogando a favor de tropes misóginas ao invés de subvertê-las.
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PARTE V: A MORTE DA MÃE
Dado que muitas dos CSM (embora não todas) eram mães, e que muitas morreram no parto, eu quero examinar este fenômeno com mais detalhes, e discutir o que significa para o Clube das Senhoras Mortas.
A cultura popular tende a priorizar a paternidade, marginalizando a maternidade. (Veja a longa história de mães mortas ou ausentes da Disney, storytelling que é meramente uma continuação de uma tradição de conto de fadas muito mais antiga da “aniquilação simbólica” da figura materna.) As plateias são socializadas para ver as mães como “dispensáveis”, enquanto pais são “insubstituíveis”:
Isto é alcançado não apenas removendo a mãe da narrativa e minando sua atividade materna, mas também mostrando obsessivamente sua morte, repetidas vezes. […] A morte da mãe é invocada repetidamente como uma necessidade romântica [...] assim parece ser um reflexo na cultura visual popular matar a mãe. [x]
Para mim, a existência do Clube das Senhoras Mortas está perpetuando a tendência de desvalorizar a maternidade, e ao contrário de tantas outras coisas sobre o ASOIAF, não é original, não é subversivo e não é boa escrita.
Pense em Lyarra Stark. Nas próprias palavras de GRRM, quando perguntado sobre quem era a mãe de Ned Stark e como ela morreu, ele nos diz laconicamente: “Senhora Stark. Ela morreu”. Não sabemos nada sobre Lyarra Stark, além de que ela se casou com seu primo Rickard, deu à luz quatro filhos e morreu durante ou após o nascimento de Benjen. É outro exemplo de indiferença casual e desconsideração do GRRM para com essas mulheres, e isso é muito decepcionante vindo de um autor que é, em diversos aspectos, tão incrível. Se GRRM pode imaginar um mundo tão rico e variado como Westeros, por que é tão comum que quando se trata de parentes femininos de seus personagens, tudo o que GRRM pode imaginar é que eles sofrem e morrem?
Agora, você pode estar dizendo, “morrer no parto é apenas algo que acontece com as mulheres, então qual é o grande problema?”. Claro, as mulheres morriam no parto na Idade Média em percentuais alarmantes. Suponhamos que a medicina westerosi se aproxime da medicina medieval - mesmo se fizermos essa suposição, a taxa em que essas mulheres estão morrendo no parto em Westeros é excessivamente alta em comparação com a verdadeira Idade Média, estatisticamente falando. Mas aqui vai a rasteira: a medicina de Westerosi não é medieval. A medicina de Westerosi é melhor do que a medicina medieval. Parafraseando meu amigo @alamutjones, Westeros tem uma medicina melhor do que a medieval, mas pior do que os resultados medievais quando se trata de mulheres. GRRM está colocando interferindo na balança aqui. E isso demonstra preguiça.
Morte no parto é, por definição, um óbito muito pertencente a um gênero. E é assim que GRRM define essas mulheres - elas deram à luz e elas morreram, e nada mais sobre elas é importante para ele. ("Senhora Stark. Ela morreu.") Claro, há algumas pequenas minúcias que podemos reunir sobre essas mulheres se apertarmos os olhos. Lyanna foi chamada de voluntariosa, e ela teve algum tipo de relacionamento com Rhaegar Targaryen que o júri ainda está na expectativa de conhecer, mas seu consentimento foi duvidoso na melhor das hipóteses. Joanna estava felizmente casada, e ela foi desejada por Aerys Targaryen, e ela pode ou não ter sido estuprada. Rhaella foi definitivamente estuprada para conceber Daenerys, que ela morreu dando à luz.
Por que essas mulheres têm um tratamento de gênero? Por que tantas mães morreram no parto em ASOIAF? Os pais não tendem a ter mortes motivadas por seu gênero em Westeros, então por que a causa da morte não é mais variada para as mulheres?
E por que tantas mulheres em ASOIAF são definidas por sua ausência, como buracos negros, como um espaço negativo na narrativa?
O mesmo não pode ser dito de tantos pais em ASOIAF. Considere Cersei, Jaime e Tyrion, mas cujo pai é uma figura divina em suas vidas, tanto antes como depois de sua morte. Mesmo morto, Tywin ainda governa a vida de seus filhos.
É a relação entre pai e filho (Randyll Tarly, Selwyn Tarth, Rickard Stark, Hoster Tully, etc.) que GRR dá tanto peso em relação ao relacionamento da mãe, com notáveis exceções encontradas em Catelyn Stark e Cersei Lannister. (Embora com Cersei, acho que poderia ser arguir que GRRM não está subvertendo nada - ele está jogando no lado negro da maternidade, e a ideia de que as mães prejudicam seus filhos com sua presença - que é basicamente o outro lado da trope da mãe morta - mas esta postagem já está com um tamanho absurdo e eu não vou entrar nisso aqui.)
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PARTE VI: O CSM E VIOLÊNCIA SEXUAL
Apesar de suas alegações de verossimilhança histórica, GRRM fez Westeros mais misógino do que a verdadeira Idade Média. Tendo em conta que detalhes sobre violência sexual são as principais informações que temos sobre o CSM, por que é necessária tanta violência sexual?
Eu discuto esta questão em profundidade na minha tag #rape culture in Westeros, mas acho que merece ser tocado aqui, pelo menos brevemente.
Garotas como Tysha são definidas pela violência sexual pela qual passaram. Sabemos sobre o estupro coletivo de Tysha no livro 1, mas sequer aprendemos seu nome até o livro 2. Muitas do CSM são vítimas de violência sexual, com pouca ou nenhuma atenção dada a como essa violência as afetou pessoalmente. Mais atenção é dada a como a violência sexual afetou os homens em suas vidas. Com cada novo assédio sexual que Joanna sofreu em razão de Aerys, sabemos que por meio de O Mundo de Gelo e Fogo que Tywin rachou um pouco mais, mas como Joanna se sentiu? Sabemos que Rhaella havia sido abusada a ponto de parecer que uma fera a atacara, e sabemos que Jaime se sentia extremamente conflituoso por causa de seus juramentos da Guarda Real, mas como Rhaella se sentia quando seu agressor era seu irmão-marido? Sabemos mais sobre o abuso que essas mulheres sofreram do que sobre as próprias mulheres. A narrativa objetifica, ao invés de humanizar, o CSM.
Por que os personagens messiânicos de GRRM têm que ser concebidos por meio de estupro? A figura materna sendo estuprada e sacrificada em prol do messias/herói é uma trope de fantasia velha e batida, e GRRM faz isso não uma vez, mas duas (ou possivelmente três) vezes. Sério, GRRM? Sério? GRRM não precisa depender de mães estupradas e mortas como parte de sua história trágica pré-fabricada. GRRM pode fazer melhor que isso, e ele deveria. (Mais debates na minha tag #gender in ASOIAF.)
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PARTE VII: SACRIFÍCIO MASCULINO, SACRIFÍCIO FEMININO E ESCOLHA
Agora, você pode estar se perguntando: "É normal que os personagens masculinos se sacrifiquem, então por que as mulheres não podem se sacrificar em prol do messias? O sacrifício feminino não é subversivo?”
Sacrifício masculino e sacrifício feminino muitas vezes não são os mesmos na cultura popular. Para resumir - os homens se sacrificam, enquanto as mulheres são sacrificadas.
As mulheres que morrem no parto para dar à luz o messias não são a mesma coisa que os personagens masculinos fazendo uma última grande investida com armas em punho para dar ao Herói Messiânico a chance de Fazer A Coisa. Os personagens masculinos que se vão com armas fumegantes em mãos escolhem esse destino; é o resultado final da sua caracterização fazer isso. Pense em Syrio Forel. Ele escolhe se sacrificar para salvar um dos nossos protagonistas.
Mas mulheres como Lyanna, Rhaella e Joanna não tiveram uma escolha, não tiveram nenhum grande momento de vitória existencial que fosse a ápice de seus personagens; eles apenas morreram. Elas sangraram, elas adoeceram, elas foram assassinados - elas-apenas-morreram. Não havia grande escolha para se sacrificar em favor de salvar o mundo, não havia opção de recusar o sacrifício, não havia escolha alguma.
E isso é fundamental. É isso que está no coração de todas as histórias do GRRM: escolha. Como eu disse aqui,
“Escolha […]. Esta é a diferença entre bem e mal, você sabe disso. Agora parece que sou eu que tenho que fazer uma escolha” (Sonho Febril). Nas palavras do próprio GRRM, “Isso é algo que se vê bem em meus livros: Eu acredito em grandes personagens. Todos nós somente capazes de fazer grandes coisas, e de fazer coisas ruins. Nós temos os anjos e os demônios dentro de nós, e nossas vidas são uma sucessão de escolhas.” São as escolhas que machucam, as escolhas em que o bom e o mal são sopesados – essas são as escolhas em que “o coração humano [está] em conflito consigo mesmo”, o que GRRM considera “a única coisa que vale a pena escrever sobre”.
Homens como Aerys, Rhaegar e Tywin fazem escolhas em ASOIAF; mulheres como Rhaella não têm nenhuma escolha na narrativa.
GRRM acha que não vale a pena escrever sobre as histórias do Clube das Senhoras Mortas? Não houve nenhum momento na mente do GRRM em que Rhaella, Elia ou Ashara se sentiram em conflito em seus corações, em nenhum momento eles sentiram suas lealdades divididas? Como Lynesse se sentiu escolhendo concubinato? E sobre Tysha, que amou um garoto Lannister, mas sofreu estupro coletivo nas mãos da Casa Lannister? Como ela se sentiu?
Seria muito diferente se soubéssemos sobre as escolhas que Lyanna, Rhaella e Elia fizeram. (O Fandom frequentemente especula sobre se, por exemplo, Lyanna escolheu ir com Rhaegar, mas o texto permanece em silêncio sobre este assunto mesmo em A Dança dos Dragões. GRRM permanece em silêncio sobre as escolhas dessas mulheres.)
Seria diferente se o GRRM explorasse seus corações em conflito, mas não ficamos sabendo de nada sobre isso. Seria subversivo se essas mulheres escolhessem ativamente se sacrificar, mas não o fizeram.
Dany provavelmente está sendo criada como uma mulher que ativamente escolhe se sacrificar para salvar o mundo, e acho isso subversivo, um esforço valoroso e louvável da parte da GRRM lidar com essa dicotomia entre o sacrifício masculino e o sacrifício feminino. Mas eu não acho que isso compensa todas essas mulheres mortas sacrificadas no parto sem escolha.
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PARTE VIII: CONCLUSÕES
Espero que este post sirva como uma definição funcional do Clube das Senhoras Mortas, um termo que, pelo menos para mim, carrega muitas críticas ao modo como a GRRM lida com essas personagens femininas. O termo engloba a falta de voz dessas mulheres, o abuso excessivo e fortemente ligado ao gênero que sofreram e sua falta de caracterização e arbítrio.
GRRM chama seus personagens de seus filhos. Eu me sinto como essas mulheres mortas - as mães, as esposas, as irmãs - eu sinto como se essas mulheres fossem crianças natimortas de GRRM, sem nada a não ser um nome em uma certidão de nascimento, e muito potencial perdido, e um buraco onde já houve um coração na história de outra pessoa. Desde os meus primeiros dias no tumblr, eu queria dar voz a essas mulheres sem voz. Muitas vezes elas foram esquecidas, e eu não queria que elas fossem.
Porque se elas fossem esquecidas - se tudo o que havia para elas era morrer - como eu poderia acreditar em ASOIAF?
Como posso acreditar que “a vida dos homens tem significado, não sua morte” se GRRM criou este grupo de mulheres meramente para ser sacrificado? Sacrificado por profecia, ou pela dor de outra pessoa, ou simplesmente pela tragédia em tudo isso?
Como posso acreditar em todas as coisas que a ASOIAF representa? Eu sei que GRRM faz um ótimo trabalho com Sansa, Arya e Dany e todos os outros POVs femininos, e eu o admiro por isso.
Mas quando a ASOIAF pergunta, “o que é a vida de um garoto bastardo perante um reino?” Qual é o valor de uma vida, quando comparada a tanta coisa? E Davos responde, suavemente, “Tudo”… Quando ASOIAF diz que… quando a ASOIAF diz que uma vida vale tudo, como as pessoas podem me dizer que essas mulheres não importam?
Como posso acreditar em ASOIAF como uma celebração à humanidade, quando a GRRM desumaniza e objetifica essas mulheres?
O tratamento dessas mulheres enfraquece a tese central da ASOIAF, e não precisava ser assim. GRRM é melhor do que isso. Ele pode fazer melhor.
Eu quero estar errada sobre tudo isso. Eu quero que GRRM nos conte em Os Ventos do Inverno tudo sobre as escolhas de Lyanna, e eu quero aprender o nome da Princesa Sem Nome, e eu quero saber que três mulheres não foram estupradas para cumprir uma profecia da GRRM. Eu quero que GRRM sopre vida dentro delas, porque eu o considero o melhor escritor de fantasia vivo.
Mas eu não sei se ele fará isso. O melhor que posso dizer é eu quero acreditar.
[...]
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2019.07.14 02:06 of_losers_and_men Gostaria de um feedback sobre a escrita do meu conto

CASO FORTUÍTO.

Era de noite, beirando as onze, início de inverno, a rua estava semideserta e gelada, as poucas pessoas presentes foram chamadas por causa do acidente. Policiais, paramédicos, ambulâncias e viaturas. A grande avenida parecia absurda com aquele número de pessoas no meio da rua vazia, banhadas pela luz alaranjada dos postes e os flashes azuis e vermelhos que vinham dos veículos oficiais. O cheiro férreo e doce perfumava o ar. Mas não nos afobemos, voltemos para o início do dia.
Pedro acordou cedo para o trabalho, o céu estava claro e límpido, o sol nascia. Antes de se levantar para encarar o dia, tirou o cabelo da face de Vitória e a deu um beijo em sua testa, ela ainda estava adormecida. Seguiu então à cozinha e colocou o café para fazer em sua máquina. Voltou ao quarto e percebeu agora que o sol entrava pela fresta da cortina e batia no rosto de sua amada, por isso resolveu fechar direito a cortina, antes de ir para o banheiro do quarto se arrumar para o trabalho.
Ele gostava de suas manhãs, eram seu momento de sossego e de relaxamento, a tranquilidade da cidade que ainda estava adormecida e a solitude do café matinal, pois sua amada acordava sempre mais tarde, trabalhava com freelas de design e tinha mais liberdade com seus horários.
Depois de ter tomado banho e se vestido, com terno e gravata mandatório no escritório que trabalhava, se serviu de uma boa xícara de café quente, sem açúcar, e se sentou na cadeira da sacada de seu prédio, no oitavo andar, para apreciar aquela brisa fresca da manhã, com seu café ainda quente.
Sentado ali, ele contemplava como o relacionamento deles estava desgastado ultimamente. A nostalgia do amor veranil inundava seus pensamentos e entrava em conflito com a realidade do presente. As brigas estavam mais comuns no dia a dia, as palavras não ditas acabavam envenenando mais do que as palavras gritadas e o desgaste da vida de trabalho e da rotina. Na noite anterior eles haviam brigado por conta do contrato de locação, Vitória queria aproveitar o fim do contrato para comprar uma casa definitiva para começar a construir uma vida fixa, mas Pedro preferia renovar a locação para guardar um pouco mais de dinheiro, afinal, a economia estava em uma crise. Foram para a cama sem conversar naquela noite, estavam cansados de não conseguirem se comunicar, ambos frustrados com a falta de compreensão do companheiro.
Passados uns vintes minutos, Pedro termina seus últimos goles, veste o seu paletó e saí de casa para seguir para o seu trabalho.
Algumas horas depois de ele ter saído de casa, Vitória acorda, encara o espaço vazio onde seu marido estava, ainda com sua silhueta impressa. Sentada na cama, contempla a luz do sol que vem da porta do banheiro, visto que a cortina estava fechada e o quarto estava na penumbra. Ela sente o cheiro do café que ainda perfuma o ar da casa, o que imediatamente a lembra do gosto amargo do confronto da noite interior, não que fosse algo muito grave, mas era algo que servia como uma infusão de culpa e rancor naquela relação, que já fora mais doce que o mel, no início.
Então, se serve de uma xícara de café, se veste e segue para o escritório dela, que era montado no quarto de hóspedes, para terminar uma das ilustrações para um livro de fantasia. Não conseguia se concentrar, passava dez minutos trabalhando e trinta minutos tendo devaneios por conta dos desentendidos. Resolveu mandar uma mensagem para Pedro. Disse que queria sair para jantar com ele em algum lugar fora, para tirar a situação de mal-estar que pairava sobre eles. Pedro, em seu cubículo, também não conseguia trabalhar, só imaginava os piores cenários e estava sendo corroído pela culpa de ter se exaltado, mas assim que recebeu a mensagem, um peso foi levantado de suas costas, por pior que estivessem, aquilo significava que pelo menos ainda eles eram os mesmos, eles não eram as palavras presa e os nós na garganta.
Ainda um pouco abalados, se desculparam um com o outro e efetivamente queriam estar juntos, o medley das sensações negativas que preenchiam o início daquele dia só deixava mais meigo aquele embaraço infantil que expressava o desejo.
Resolveram que se encontrariam no restaurante italiano Caracci&Sarratore as 10 horas, pois, nesse dia em específico Pedro teria uma videoconferência do exterior. Por causa desse imprevisto, ficaram se provocando e trocando alguns nudes para a antecipação do encontro de reconciliação deles, por causa do bem-estar instantâneo da comunicação. No entanto, o que ambos ainda não sabiam é que dessa sequência de fatos resultaria o fim de duas vidas e a destruição do fígado e da mente de um indíviduo.
Pedro imaginava que o encontro se daria no restaurante Caracci&Sarratore novo, próximo de seu trabalho, sem nem imaginar que existia um outro restaurante de mesmo nome. O mesmo aconteceu com Vitória, mas ela acreditava que eles se encontrariam no bistrôzinho tradicional e antigo, que ficava próximo da casa deles, visto que fora o resultado mostrado a ela por uma rápida pesquisa no google.
Bem, com tudo combinado, eles puderam voltar a rotina normal deles, Vitória mergulhou na produção das ilustrações por toda a manhã e tarde, só parando para um café da tarde para forrar o estômago até de noite. Pedro se preparou com os diversos relatórios e dados que ele teria de apresentar para seus chefes. Chegando à noite, Vitória se arrumou para aquele restaurante, que era chique e caro, mas dadas as circunstâncias do relacionamento deles, era compreensível o ato. No entanto, por passar a tarde imersa em sua produção criativa, acabou esquecendo de carregar o celular e nem percebeu quando este desligou. Portanto, assim que ficou pronta, saiu para ir ao restaurante.
Pedro fez a apresentação por videoconferência, e felizmente deu tudo certo, tendo terminado o que precisava pouco depois das nove. Com um certo tempo sobrando e com um sério caso de suor de um dia de trabalho e nervosismo, resolveu ir à academia próxima ao prédio onde trabalhava para tomar um banho e seguir ao jantar com sua amada.
Ele chegou às nove e quarenta e cinco, para garantir a mesa quando Vitória chegasse. Às dez horas já estava com uma mesa para dois, e já havia pedido um vinho para a mesa e uma água para beber enquanto esperava. Quando o relógio bateu dez e quinze, começou a ficar irritado e imaginar os cenários mais fúteis para alimentar a sua frustração e raiva, ele havia chego quinze minutos mais cedo e ela nem se dignou a avisar que iria atrasar. Passados mais quinze minutos ele já havia tentado ligar diversas vezes e mandado diversas mensagens, que nem chegavam ao celular dela, o que só alimentava as ilusões criadas por uma mente ensandecida por frustração.
Quarenta e cinco minutos de atraso. Quarenta e cinco minutos de atraso foi o que foi preciso para que Pedro, irritado, pagasse a água e o vinho, que ele levou para ir bebendo até sua casa, e fosse embora. Pedro era fraco com álcool, então, depois de ter virado a garrafa no banco de trás de um uber, chegou em casa claramente embriagado, gritando e praguejando contra Vitória, deixando diversas mensagens de voz claramente desproporcionadas e carregadas de emoções lúgubres, iludidas e claramente egoistas.
Mal ele sabia...
Vitória saiu de casa às dez, estava um pouco atrasada, mas era por causa do tempo que ela gastara na última ilustração, estava em um fluxo criativo. O trajeto dali até o restaurante dava uns dez minutinhos a pé, e como a região onde moravam era considerada segura, ela seguiu a pé, mesmo estando bem frio. Motivo pelo qual levou uma jaqueta de couro escura. Ela já ensaiava o que ia dizer a Pedro e se desculpar pelo atraso.
Ao sair na rua, pelas luzes alaranjadas dos postes e pelos reflexos azulados das placas luminosas da cidade, ela pensava em como apesar de todos os empecilhos do relacionamento deles, ela ainda o amava, esboçando um leve sorriso juvenil, apesar de todos os ressentimentos não ditos e as ofensas explicitadas, ainda existia um núcleo amoroso terno e afetuoso entre eles e como lamentava ter perdido a noção do tempo e, consequentemente, vir a causar mais um atrito.
Ela andava, estava esperançosa com relação aos problemas deles, sabia que ele também devia estar e também estaria disposto a trabalhar mais na relação. Mas nada acaba com uma esperança como um carro correndo a cem por hora furando todos os sinais vermelhos.
Na avenida que dava para o restaurante, ela já tentava encontrar ele nas mesas próximas às vidraças. Olhou para o sinaleiro, que estava vermelho, apesar de estar vazia a rua, por causa da hora, então seguiu atravessando nas faixas pretas e brancas no asfalto. Só para que um riquinho qualquer apostando um racha atropelasse ela a CEM por hora em uma rua com limite de cinquenta por hora. Ela morreu instantaneamente, o pior é que ninguém sabia que o mais trágico não foi a morte de uma pessoa apenas, mas sim de duas que ocupavam o mesmo lugar. Mal ele sabia.
Policiais e ambulâncias foram chamadas, conseguiram salvar o atropelador. Ele estava com algumas escoriações leves. O carro estava em estado de perda total.
Enquanto isso, Pedro pragueja contra a morta por não ter aparecido no restaurante e deixa mensagens dizendo que quer terminar com ela e quanto foi vergonhoso ele ficar esperando sozinho no restaurante, como ele ficou decepcionado por ela não ter nem se dignado a avisá-lo ou mandando uma mensagem explicando a ausência dela.
Enquanto isso, Pedro espera o apocalipse iminente da sua realidade. À sua frente, só está prescrito o entorpecimento da negação e dos narcóticos, as noites de pânico e gritos impotentes e o gosto marrento da injustiça do mundo e a culpa do indivíduo. Ele espera seu mundo ser destruído enquanto dorme por causa do álcool, com seus mais doces sonhos, onde ele possui razão e tudo está como sempre foi.
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2019.06.20 03:25 euamocachorros79 É Brasil

Acorda e lá fora está escuro. Os galos da vizinhança ainda não cantaram, o som mais próximo perceptível, baixo ainda, é a confusão amalgamada das estações de música sertaneja e notícias daqueles que acordaram mais cedo. Desliga o alarme do despertador mas o de dentro da cabeça ainda ecoa, a mulher nega o beijo, novamente, e negará até ele tratar de desfazer o mau hálito matinal. Passa o café no coador de pano enquanto esfrega os olhos, catando remelas. Mais uma vez não tem pão. As crianças provavelmente estavam com mais fome ontem à noite. O café preto aliado ao pensar nas crianças o deixa mais alerta. A maior já está precisando de roupa nova, quase não cabe no vestido de chita que a mulher costurou no curso do sindicato. Sorri ao pensar nos dois meninos, ainda moleques e arteiros mas que agora dormem à espera de um novo dia na escola. Lembra que ainda não escovou os dentes e precisa correr para não se atrasar após a higiene.
A gente quer valer o nosso amor.
Ônibus, duas conduções. Baldeação. A camiseta pinica. Hoje está quente. A marmita com arroz, feijão e farofa, sacoleja na mochila. A indicação do primo é certeira. A construção está nas fundações, trabalho pra mais de ano, talvez dois, com sorte, três. Não pode deixar passar a oportunidade. Foi o presidente quem falou, com sotaque carregado igual ao seu. Homem correto, quer matar os corruptos. Talvez assim as coisas melhorem no país. Se pudesse, mataria também, mas pra isso já tem a polícia e os bandidos. Melhor sujar as mãos com argamassa do que com sangue.
- João da Silva, sim senhor. Eu vim por causa da vaga de servente. Preciso do trabalho, sim senhor. Não tenho documento não, sempre trabalhei por conta, sabe? E paga quanto? É justo, sim senhor.
Antecipa a felicidade da mulher e das crianças ao saber que o pagamento será semanal. Começa amanhã. Na volta para casa, carrega uniforme, botina e EPI que ganhou. O capataz falou que ali todo mundo usa, quem for pego sem, nem precisa voltar no dia seguinte. E sem direito a nada. João sabe que todo capataz fala isso, mas ninguém fiscaliza, ainda mais em obra grande, onde o que importa é fazer o serviço direito e não aparecer bêbado.
-Sim senhor.
A gente quer valer nosso suor.
As crianças chegam juntas em casa, depois da aula, um pouco antes do dia começar a trilhar o caminho entre as cores vivas e o preto. Pede para a filha mais velha ajudar com o banho e o lanche dos menores. Ao chegarem na cozinha, percebem que hoje tem banana, pão, margarina, queijo e até mortadela. A filha sorri orgulhosa para o pai herói. Os meninos comem até arrotar. Todos riem da balbúrdia.
A mãe chega exausta, dia puxado nas faxinas, de manhã num apartamento, à tarde numa casa. A dona do apartamento não pagou, diz que semana que vem acerta. Pelo menos, permitiu que ela almoçasse o que sobrara da refeição. O dono da casa não comprou os panos e material de limpeza corretos. Homem nunca faz as coisas direito. Ela só quer descansar ao chegar em casa, mas ainda tem que lidar com a algazarra que vem da cozinha. O coração quase explode ao saber que o marido conseguiu o trabalho. Beija-o sem se importar com a halitose.
A gente quer valer o nosso humor.
No dia seguinte, Janete só espera a saída de João para reabrir a conta no mercado da esquina. Abastece a despensa com óleo, vinagre, sardinha em lata, macarrão, biscoitos, feijão, arroz, sal e açúcar. Guarda tudo e torce para que o marido, dessa vez, seja honrado, homem com agá maiúsculo, que cuide dela e da prole. Pela manhã, coloca-se a arrumar e limpar a casa, no intuito de esperar o marido com carne na panela para o jantar. À tarde, trabalha com o coração cheio de esperanças. Quem sabe não poderiam comprar uma máquina de lavar roupas, uma televisão para assistir à novela e entreter os meninos, quiçá uma casa, para livrarem-se do aluguel. Janete mostra os dentes alvos ao esfregar a louça dos banheiros e ao passar o pano no chão de porcelanato. Seu humor não poderia ser perturbado nem mesmo pelos tarados que insistem em se aproximar por trás, no trem, na ânsia de sentir suas nádegas. Os cotovelos duros e pontiagudos a protegem.
A gente quer do bom e do melhor.
João nunca soube ler. Aprendeu a fazer contas depois que lhe ensinaram o poder do dinheiro. Ouviu na rua, de um amigo, que com dinheiro se comprava mulher, carro, casa, comida. Intrigado pelo cheiro doce que emanava das meninas e pelas promessas de barriga cheia, procurou arranjar grana o quanto antes. Tentou roubar, mas sentiu culpa. Tentou o comércio mas não sabia vender, nem se expressar de um jeito bonito ou interessante. Até que viu um pedreiro erguendo uma parede. Uma pena ninguém ter ensinado a fazer dinheiro de outro jeito que não através do trabalho. Mas as coisas são o que são.
Trabalhava tanto quanto o corpo deixava. O esforço o transformou num jovem adulto vigoroso e começou a atrair olhares longos das meninas da vizinhança. Não demorou muito para se apaixonar por Janete. O sexo era bom e praticamente o único bálsamo numa vida destinada à dor e ao trabalho. Isso aliado à ignorância acerca de métodos contraceptivos, ele sempre tentava tirar antes de gozar, resultara em três crianças, muito amadas, mas que também precisavam ser cuidadas.
A gente quer carinho e atenção.
As primeiras semanas são de muita labuta e também de grandes mudanças na família Silva. João traz o pagamento inteiro e, sem retirar uma nota, entrega-o à esposa. Mariele, a filha mais velha, exibe um traje novo, de sair aos domingos, que consiste em uma calça justa e uma blusa leve de algodão. Ronaldo e Washington ganham uma bola de futebol de couro, raridade entre a turma do bairro. Aos sábados, João bebe cerveja por somente duas horas, enquanto ouve no rádio seu time disputar a segunda divisão nacional. Janete brilha por dentro ao mostrar para as vizinhas e amigas o fogareiro novo, adquirido em dez prestações, onde prepara o cardápio de casa e as marmitas de João.
Pela primeira vez em meses, não precisam do seguro-desemprego de Janete para fechar as contas. O casal sai para dançar aos domingos, na gafieira, e até as crianças, melhor nutridas, aprendem mais e aumentam as notas. A casa onde moram ganha contornos de lar.
A gente quer calor no coração.
Se antes, quando mal podia segurar as calças para que os fundilhos não ficassem expostos, João era alvo da lascívia das vizinhas, agora então é que recebe piadinhas e indiretas sobre comer fora de casa. Mas Janete é sábia nas lidas do prazer e o trata como um rei, com tanto carinho e cuidado na hora de amar, que ele nem imagina estar entre os lençóis com outra mulher. Não, Janete conhece seus pontos de pressão, onde deve tocar e com qual parte do corpo, para que João retorça os dedos dos pés. Quando satisfeito, se entrega a chupar com gosto os seios de Janete, enquanto passeia com os dedos pelo corpo teso da esposa. Dedicado que é, só para quando a mulher não consegue abafar os gritos de delírio.
A gente quer suar mas de prazer.
Faltando pouco menos de um ano para as eleições gerais, estoura um escândalo de superfaturamento de obras, envolvendo empreiteiras e o governo federal. João ouve apreensivo as notícias mencionarem o nome da empresa para qual presta serviços. Na manhã seguinte, refaz o trajeto que nos últimos três anos garantiu o sustento à família. Ao caminhar as poucas quadras que separam a parada do ônibus e o local de trabalho, sente uma agonia inexplicável no peito. A agonia deixa de incomodá-lo para ceder lugar à tristeza ao ver os portões da obra trancados. Um cartaz afixado à lateral da entrada explica, em letras miúdas, a intervenção da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União. Mas João não sabe ler.
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
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2019.06.19 20:22 euamocachorros79 [DQ] É Brasil

Acorda e lá fora está escuro. Os galos da vizinhança ainda não cantaram, o som mais próximo perceptível, baixo ainda, é a confusão amalgamada das estações de música sertaneja e notícias daqueles que acordaram mais cedo. Desliga o alarme do despertador mas o de dentro da cabeça ainda ecoa, a mulher nega o beijo, novamente, e negará até ele tratar de desfazer o mau hálito matinal. Passa o café no coador de pano enquanto esfrega os olhos, catando remelas. Mais uma vez não tem pão. As crianças provavelmente estavam com mais fome ontem à noite. O café preto aliado ao pensar nas crianças o deixa mais alerta. A maior já está precisando de roupa nova, quase não cabe no vestido de chita que a mulher costurou no curso do sindicato. Sorri ao pensar nos dois meninos, ainda moleques e arteiros mas que agora dormem à espera de um novo dia na escola. Lembra que ainda não escovou os dentes e precisa correr para não se atrasar após a higiene.
A gente quer valer o nosso amor.
Ônibus, duas conduções. Baldeação. A camiseta pinica. Hoje está quente. A marmita com arroz, feijão e farofa, sacoleja na mochila. A indicação do primo é certeira. A construção está nas fundações, trabalho pra mais de ano, talvez dois, com sorte, três. Não pode deixar passar a oportunidade. Foi o presidente quem falou, com sotaque carregado igual ao seu. Homem correto, quer matar os corruptos. Talvez assim as coisas melhorem no país. Se pudesse, mataria também, mas pra isso já tem a polícia e os bandidos. Melhor sujar as mãos com argamassa do que com sangue.
- João da Silva, sim senhor. Eu vim por causa da vaga de servente. Preciso do trabalho, sim senhor. Não tenho documento não, sempre trabalhei por conta, sabe? E paga quanto? É justo, sim senhor.
Antecipa a felicidade da mulher e das crianças ao saber que o pagamento será semanal. Começa amanhã. Na volta para casa, carrega uniforme, botina e EPI que ganhou. O capataz falou que ali todo mundo usa, quem for pego sem, nem precisa voltar no dia seguinte. E sem direito a nada. João sabe que todo capataz fala isso, mas ninguém fiscaliza, ainda mais em obra grande, onde o que importa é fazer o serviço direito e não aparecer bêbado.
-Sim senhor.
A gente quer valer nosso suor.
As crianças chegam juntas em casa, depois da aula, um pouco antes do dia começar a trilhar o caminho entre as cores vivas e o preto. Pede para a filha mais velha ajudar com o banho e o lanche dos menores. Ao chegarem na cozinha, percebem que hoje tem banana, pão, margarina, queijo e até mortadela. A filha sorri orgulhosa para o pai herói. Os meninos comem até arrotar. Todos riem da balbúrdia.
A mãe chega exausta, dia puxado nas faxinas, de manhã num apartamento, à tarde numa casa. A dona do apartamento não pagou, diz que semana que vem acerta. Pelo menos, permitiu que ela almoçasse o que sobrara da refeição. O dono da casa não comprou os panos e material de limpeza corretos. Homem nunca faz as coisas direito. Ela só quer descansar ao chegar em casa, mas ainda tem que lidar com a algazarra que vem da cozinha. O coração quase explode ao saber que o marido conseguiu o trabalho. Beija-o sem se importar com a halitose.
A gente quer valer o nosso humor.
No dia seguinte, Janete só espera a saída de João para reabrir a conta no mercado da esquina. Abastece a despensa com óleo, vinagre, sardinha em lata, macarrão, biscoitos, feijão, arroz, sal e açúcar. Guarda tudo e torce para que o marido, dessa vez, seja honrado, homem com agá maiúsculo, que cuide dela e da prole. Pela manhã, coloca-se a arrumar e limpar a casa, no intuito de esperar o marido com carne na panela para o jantar. À tarde, trabalha com o coração cheio de esperanças. Quem sabe não poderiam comprar uma máquina de lavar roupas, uma televisão para assistir à novela e entreter os meninos, quiçá uma casa, para livrarem-se do aluguel. Janete mostra os dentes alvos ao esfregar a louça dos banheiros e ao passar o pano no chão de porcelanato. Seu humor não poderia ser perturbado nem mesmo pelos tarados que insistem em se aproximar por trás, no trem, na ânsia de sentir suas nádegas. Os cotovelos duros e pontiagudos a protegem.
A gente quer do bom e do melhor.
João nunca soube ler. Aprendeu a fazer contas depois que lhe ensinaram o poder do dinheiro. Ouviu na rua, de um amigo, que com dinheiro se comprava mulher, carro, casa, comida. Intrigado pelo cheiro doce que emanava das meninas e pelas promessas de barriga cheia, procurou arranjar grana o quanto antes. Tentou roubar, mas sentiu culpa. Tentou o comércio mas não sabia vender, nem se expressar de um jeito bonito ou interessante. Até que viu um pedreiro erguendo uma parede. Uma pena ninguém ter ensinado a fazer dinheiro de outro jeito que não através do trabalho. Mas as coisas são o que são.
Trabalhava tanto quanto o corpo deixava. O esforço o transformou num jovem adulto vigoroso e começou a atrair olhares longos das meninas da vizinhança. Não demorou muito para se apaixonar por Janete. O sexo era bom e praticamente o único bálsamo numa vida destinada à dor e ao trabalho. Isso aliado à ignorância acerca de métodos contraceptivos, ele sempre tentava tirar antes de gozar, resultara em três crianças, muito amadas, mas que também precisavam ser cuidadas.
A gente quer carinho e atenção.
As primeiras semanas são de muita labuta e também de grandes mudanças na família Silva. João traz o pagamento inteiro e, sem retirar uma nota, entrega-o à esposa. Mariele, a filha mais velha, exibe um traje novo, de sair aos domingos, que consiste em uma calça justa e uma blusa leve de algodão. Ronaldo e Washington ganham uma bola de futebol de couro, raridade entre a turma do bairro. Aos sábados, João bebe cerveja por somente duas horas, enquanto ouve no rádio seu time disputar a segunda divisão nacional. Janete brilha por dentro ao mostrar para as vizinhas e amigas o fogareiro novo, adquirido em dez prestações, onde prepara o cardápio de casa e as marmitas de João.
Pela primeira vez em meses, não precisam do seguro-desemprego de Janete para fechar as contas. O casal sai para dançar aos domingos, na gafieira, e até as crianças, melhor nutridas, aprendem mais e aumentam as notas. A casa onde moram ganha contornos de lar.
A gente quer calor no coração.
Se antes, quando mal podia segurar as calças para que os fundilhos não ficassem expostos, João era alvo da lascívia das vizinhas, agora então é que recebe piadinhas e indiretas sobre comer fora de casa. Mas Janete é sábia nas lidas do prazer e o trata como um rei, com tanto carinho e cuidado na hora de amar, que ele nem imagina estar entre os lençóis com outra mulher. Não, Janete conhece seus pontos de pressão, onde deve tocar e com qual parte do corpo, para que João retorça os dedos dos pés. Quando satisfeito, se entrega a chupar com gosto os seios de Janete, enquanto passeia com os dedos pelo corpo teso da esposa. Dedicado que é, só para quando a mulher não consegue abafar os gritos de delírio.
A gente quer suar mas de prazer.
Faltando pouco menos de um ano para as eleições gerais, estoura um escândalo de superfaturamento de obras, envolvendo empreiteiras e o governo federal. João ouve apreensivo as notícias mencionarem o nome da empresa para qual presta serviços. Na manhã seguinte, refaz o trajeto que nos últimos três anos garantiu o sustento à família. Ao caminhar as poucas quadras que separam a parada do ônibus e o local de trabalho, sente uma agonia inexplicável no peito. A agonia deixa de incomodá-lo para ceder lugar à tristeza ao ver os portões da obra trancados. Um cartaz afixado à lateral da entrada explica, em letras miúdas, a intervenção da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União. Mas João não sabe ler.
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
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2019.04.20 23:39 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 1)

Infelizmente, eu já vi que o sub de escritores brazucas não é lá muito populoso. Eu não sei se um dia alguém vai chegar a ler a introdução da minha narrativa, mas se você está aqui, lendo a minha nota pré-texto, eu peço humildemente o seu feedback. No meu círculo social, rigorosamente NINGUÉM tem tempo e paciência para ler tudo e me dizer o que achou - e eu entendo perfeitamente kkkkkk. E, se me permite um segundo pedido: se for me dar um toque, seja na gramática, seja na minha forma de decorrer a história, faça críticas construtivas, por favor.
E sobre a introdução: se um dia a minha história porventura se tornar um livro - e eu não faço nenhuma questão que isso aconteça - ele se iniciaria após todos os fatos que eu vou narrar abaixo - e estes fatos iriam se revelando no decorrer dos capítulos. Essa introdução tem o único e exclusivo objetivo de dar um entendimento melhor ao leitor atual - você! - sobre o "universo Steel Hearts": contexto histórico da trama, histórico das personagens, eventos que moldam a narrativa e afins. Em um eventual livro, essa introdução seria inexistente e ele se iniciaria no prólogo - o qual eu já escrevi e vou postar aqui também, ainda hoje ou amanhã. E até o momento atual, o prólogo é onde a minha história está empacada :{
Enfim, sem mais delongas: boa leitura! :)
[EDIT: Eu vou ter que dividir a introdução em duas partes, para conseguir postar - eu não sabia que o Reddit tinha um limite de caracteres. Eu vou postar a Parte 1 agora e a Parte 2 eu posto em alguns minutos, logo na sequência.]
Cronologicamente, a trama se inicia em 1412.
Dois jovens oficiais do Reino da Catalunha se perdem no interior de uma floresta de mata densa em uma patrulha rotineira e descobrem uma reserva imensa de ferro, cobre e bronze no interior de uma caverna - esta, batizada de Madriguera de Sán José. Todos estes citados, minérios primordiais para a construção de equipamentos de combate e, no auge da Idade Média, eram de extremo valor. Após apurações mais profundas, foi descoberto que a reserva era muito maior do que se imaginava e se estendia por todo um território, conhecido como Península de Acqualuza. Naturalmente, os olhos de toda a Europa Medieval se voltaram para as terras de Acqualuza, que era território da Catalunha - região onde atualmente se localiza a Espanha - por direito, comandada desde 1383 pelo rei Carlos Villar. O que antes era só mais um pedaço de terra passou a ser visto por Carlos Villar como um trunfo para instalar o seu reinado como a maior potência militar e econômica da Europa e, por tabela, do mundo.
Entretanto, alguns anos mais tarde, o rei da Catalunha foi assassinado por sua própria filha primogênita, Alice Azcabaz Villar, movida pela ganância e pelo poder. Após assumir o trono em 1414, Alice, sem nenhuma experiência como governanta em seus 19 anos recém-formados e se vendo incapaz de colocar ordem em um reino inteiro sozinha, firmou uma aliança com a família Winchestter, uma tradicional linhagem nobre da Inglaterra, que se instalou na Península de Acqualuza e passou a governar a mesma.
É importante ressaltar que Acqualuza não se resumia apenas a ferro, cobre e bronze. Existia um povo vivendo naquela região. Uma civilização. Pessoas que se instalaram naquele lugar por gerações, muito antes de descobrirem que a península, na verdade, era uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro". Os Winchestter foram protagonistas de um governo totalmente corrupto, que durou dois anos. Exportaram minérios, espadas, lanças, escudos, armaduras e afins da mais alta qualidade para os quatro cantos da Europa e enriqueceram de uma maneira rápida e efetiva. Mas, em contrapartida, o povo de Acqualuza vivia na miséria, na pior crise socioeconômica de sua história. A verdade é que a família Winchestter, juntamente de Alice Azcabaz, visavam somente os seus interesses pessoais. Enquanto a fortuna pessoal dos Winchestter decolava, a Península de Acqualuza entrava em rota de colisão, mergulhada na pobreza extrema. Os cidadãos acqualuzenses viravam quarteirões e quarteirões em filas intermináveis para a distribuição gratuita de pães velhos e mofados, para que não simplesmente morressem de fome. E por mais que a educação, saúde, segurança e desenvolvimento social da região fossem precários, o povo parecia anestesiado. Como se estivesse tão fraco e oprimido que sequer conseguisse levantar a voz para questionar os seus governantes.
Era nítido que o governo acqualuzense era instável, o que chamou a atenção dos ingleses. Talvez a maior potência econômica e militar da Europa no momento, a Inglaterra, conduzida por seu renomado exército imperial e pelo jovem e controverso rei Sabino III, estudava maneiras de depor o governo dos Winchestter e tomar as ricas terras de Acqualuza para si - o que soava como justo para os ingleses, afinal, os atuais governantes do território acqualuzense eram dos seus. A carta na manga dos ingleses era o povo de Acqualuza e as condições desumanas nas quais estes viviam. A estratégia, inicialmente, era enviar soldados ingleses travestidos de cidadãos acqualuzenses para o território dominado pelos Winchestter e forçar uma revolta contra o governo vigente. Os forasteiros organizaram tumultos, passeatas e até fizeram ameaças aos nobres, em uma tentativa de fazer o próprio povo fazer o trabalho sujo de derrubar os monarcas do poder por eles, evitando um ataque direto e um consequente e nefasto atrito entre Inglaterra e Catalunha, com quem mantinham uma cordial relação diplomática. Os cidadãos da península até esboçaram uma reação com os primeiros protestos, mas logo adormeceram novamente. Vendo o comodismo que o governo imoral da família Winchestter instalou nas terras de Acqualuza, Sabino III optou por uma solução mais radical: a criação da CAJA.
A CAJA nada mais era do que uma organização secreta, patrocinada pelo governo da Inglaterra e composta por militares do mais alto escalão do Exército Nobre Inglês e por assassinos de aluguel de elite. O objetivo? A princípio era, durante uma noite, impedir que os postes de lamparinas a óleo vegetal fossem acesos na Península de Acqualuza. E assim, na escuridão total, um pelotão seria responsável por invadir, saquear e depredar o castelo dos Winchestter e outro grupo realizaria a maior chacina já vista na Europa Medieval: estes invadiriam casas de cidadãos comuns e matariam a sangue frio qualquer ser vivo que encontrassem pela frente. E, como cereja do bolo, deixariam os corpos ensanguentados expostos nas ruas de Acqualuza para que todos os sobreviventes se deparassem com a tragédia ao nascer do sol. Um mar de sangue inocente que os ingleses julgavam como necessário: com a carnificina, a Inglaterra esperava que o traumático choque de realidade mostrasse ao povo acqualuzense de uma vez por todas que os Winchestter eram incapazes de proteger, tanto os cidadãos, quanto a eles próprios, e enfim compreender todas as consequências da péssima administração dos nobres ingleses em suas terras. A matança tinha data e hora para acontecer: 10 de Novembro de 1415, a partir das 18h30.
E neste contexto, somos apresentados a Constantin Saravåj Mandragora - ou simplesmente Saravåj. Nascido na Iugoslávia, na região dos Bálcãs e a 1200 km de Londres, era filho de uma família de camponeses extremamente pobre e sem perspectiva nenhuma de ter uma qualidade de vida minimamente digna. Todavia, desde os primórdios de sua vida, era uma criança criativa, inteligente e escandalosamente diferente das demais. Assim como seus pais e toda a Europa Medieval, acompanhava pelos jornais o drama do povo de Acqualuza, que ganhou notoriedade internacional. Lendo jornais de origem britânica, Saravåj aprendeu o inglês por conta própria. E foi por intermédio desses folhetos estrangeiros que o menino ficou sabendo da existência de Dúbravska. Um sábio monge acqualuzense que se isolou da civilização em meados de 1360 e passou a viver sozinho em cordilheiras, em um estado infinito de meditação. Era considerado pelos cidadãos de Acqualuza como o mais próximo de Deus que tinha-se na Terra - havia quem dissesse que ele tinha contato direto com o Todo-Poderoso. Quando ficou nítido que não existia nenhum panorama de melhora para o povo acqualuzense da situação de calamidade em que se encontravam, os mais importantes homens da Península de Acqualuza começaram a procurar por Dúbravska, na esperança de que este tivesse a fórmula perfeita para contornar todo sofrimento de seu povo. Quando contatado por meros cidadãos comuns, o monge afirmou que a Península de Acqualuza tinha um período de guerras incessantes pela frente, onde a paz seria impossível e seus governantes seriam seus maiores inimigos. E profetizou que, após o período de trevas, somente uma criança de coração puro e livre de maldade seria capaz de liderar um reinando que enfim devolveria a paz para Acqualuza. Algumas horas mais tarde, no pôr-do-sol, Dúbravska entregou sua alma para Deus e realizou a sua assunção aos céus, e nunca mais foi avisado por ninguém. Quando terminou a sua leitura, Saravåj sentiu um arrepio que correu todo o seu corpo e não teve dúvidas: era ele próprio a criança da profecia.
Alguns anos mais tarde, inconformado com a sua situação e de sua família e revoltado com a forma com a qual os nobres engoliam as classes inferiores, Saravåj foi para a Inglaterra incentivado por sua mãe em busca de mais oportunidades assim que se tornou um homem adulto, em uma árdua caminhada, onde cruzou a Europa em 25 dias até chegar em Cherbourg-Octeville, na Gália, de onde seguiu de balsa para a Inglaterra. Na terra da rainha, pela primeira vez na vida a sorte sorriu para ele - e em dose dupla: o garoto de até então 18 anos entrou e cresceu rapidamente no exército inglês e também apaixonou-se reciprocamente por Camilly Shaw, sem um pingo de dúvidas, uma das mulheres mais atraentes de todo o Reino da Inglaterra: o seu cabelo lembrava os radiantes raios solares, de tão loiro. Também era dona de claros olhos azuis cor-de-mar. A garota era membro e a natural herdeira de uma respeitada família de militares de elite. Pela primeira - e única - vez, Saravåj descobriu o amor. Saravåj filiou-se como peão ao Exército Nobre Inglês em 1413 e à CAJA em 1415. Sua mãe, em uma das cartas que mandava da Iugoslávia semanalmente para Saravåj, foi totalmente contra a ideia de saber que o seu próprio filho derramou o sangue de pessoas inculpadas e encorajou Saravåj a trilhar os seus caminhos longe do militarismo. Sugeriu que mudasse o seu foco para ler livros e adquirir conhecimento, como era o sonho dela. Saravåj sabia que era utopia. Prometeu para sua progenitora que seria a primeira e última vez. O garoto iugoslavo, idealizando o seu futuro com Camilly acima de qualquer coisa, tinha medo da ameaça que os Winchestter poderiam vir a se tornar um dia, sem conhecer o maquiavélico plano do governo inglês de usar a tirania dos Winchestter como justificativa para aumentar as suas riquezas com as terras de Acqualuza.
No dia 10 de Novembro daquele mesmo ano, Saravåj invadiu de surpresa na calada da noite o imenso castelo da família Winchestter, junto de colegas de esquadrão e de assassinos profissionais em uma noite que deveria ser de comemoração para os monarcas, com as suas típicas e corriqueiras festas regadas à música clássica e todo tipo de bebida alcoólica. No saldo final, o garoto, que sempre se destacou com espadas em punhos, assassinou Diógenes Dionisi, o próprio patriarca da família Winchestter. Foram incontáveis as baixas de membros dos Winchestter naquela madrugada. Do outro lado da moeda, o morticínio foi um sucesso: o nascer do sol foi acompanhado pelo choro de homens e mulheres abraçados com os ensanguentados corpos sem vida de seus entes queridos. O vermelho-sangue banhava todas as ruas de Acqualuza, em um cenário tão surreal que sequer parecia realidade. Esta noite ficou marcada por toda eternidade na história como "O Domingo Sangrento".
Com a morte de diversos membros da família Winchestter e com a desestabilização total dos mesmos, o povo de Acqualuza, enfim, despertou. Passeatas violentas que levavam como slogan a frase "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!" eram diárias na Península de Acqualuza. Zoey Deschamps, a viúva de Diógenes Dionisi, assumiu o mandato de seu ex-marido juntamente de Alice Azcabaz, em uma diarquia frágil e que sofria forte desaprovação do povo, em um período de seis meses que ficou conhecido como "Caveirão". A gota d'água foi o suicídio da rainha Alice Azcabaz, a própria pioneira da tomada de Acqualuza, que se enforcou após não suportar a pressão e as ameaças que vinham de seus próprios compatriotas. Com a morte de Alice, Zoey abdicou do trono, fazendo com que a Península de Acqualuza caísse em anarquia total.
Sem o exercício nenhum tipo de governo nas desejadas terras acqualuzenses, a Inglaterra tinha o cenário perfeito bem à sua frente. Contudo, optou por agir com cautela. Sabino III, sabendo que o povo de Acqualuza ficaria acuado e com um pé atrás após a péssima experiência com um governo gringo - e inglês - em suas terras, enviou seus mais competentes diplomatas para a Península de Acqualuza, na intenção de negociar a almejada anexação das terras de ferro, cobre e bronze com os representantes do povo acqualuzense, em um consenso bilateral, que fosse benéfico para ambos os lados, e pouco a pouco, foi colocando os seus oficiais dentro de Acqualuza, na esperança de criar raízes inglesas na península. Na teoria, a Península de Acqualuza se tornaria parte e dependente do Reino da Inglaterra em troca de estabilidade governamental. O povo sabia que eles precisavam de um rei e que a anarquia só iria levá-los ao fundo do fundo do poço. Não haviam muitas saídas que não fosse aceitar o acordo proposto por Sabino III.
Entretanto, havia uma maçã podre neste cesto que atendia por nome e sobrenome: Matiza Perrier. Um prepotente e irreverente gênio nato, inglês descendente de iugoslavos, membro do Exército Nobre da Inglaterra e que participou do saqueamento do castelo da família Winchestter ao lado de Constantin Saravåj no 10 de Novembro. Porém, paralelamente aos seus serviços prestados ao Reino da Inglaterra, Matiza liderava uma organização de interesses sombrios conhecida como Pasárgada. Os pasargadanos tinham um objetivo em comum com os imperiais ingleses: tomar as ricas terras da Península de Acqualuza para si. Mas utilizavam meios diferentes - e mais inteligentes - para isto. A Pasárgada era o grande ventríloquo por trás de cada atitude do reino inglês. Era quem mexia as peças no tabuleiro: manipulou o governo da Inglaterra para que este manipulasse os cidadãos acqualuzenses para que estes derrubassem os Winchestter do poder. No fim das contas, quem se beneficiaria da ausência de um rei na península e sentaria no trono seria Matiza Perrier - e ele tinha meios indefectíveis para isto. Tanto que, subitamente, como um raio que cai sem nenhum aviso prévio, as negociações entre a Inglaterra e o povo de Acqualuza pararam. Quando os nobres, oficiais e diplomatas ingleses se deram conta e olharam para o alto, só puderam assistir estáticos e de camarote a coroação de Matiza Perrier como rei de Acqualuza, que a partir daquele momento passou a ser um reino independente dos catalães, nomeado de "Pasárgada". Zoey Deschamps - agora noiva de Matiza Perrier - arquitetou por trás das cortinas as condições necessárias para que a Pasárgada atravessasse as negociações entre a Inglaterra e o povo acqualuzense e tomasse a península para si. Os cidadãos acreditaram com toda inocência do mundo que um governo novo e, acima de tudo, não-inglês, era o ideal para eles naquele momento.
Quando a notícia de que uma desconhecida oposição havia vencido a disputa pelo trono chegou aos ouvidos de Sabino III, ele ordeu a retirada imediata de todas as suas tropas das terras de Acqualuza. Muitos conseguiram fugir para regiões vizinhas - entre estes, Constantin Såravaj - mas muitos mais jamais puderam voltar para suas casas. No dia 10 de Julho de 1416, a Pasárgada assumiu oficialmente a Península de Acqualuza e o agora rei Matiza fez o seu primeiro discurso ao seu povo. O comandante da Pasárgada proferiu palavras bonitas e se mostrou um defensor ferrenho dos direitos humanos e da inclusão social das classes menos favorecidas, ganhando como recompensa uma salva de palmas ensurdecedora do povo e a simpatia dos mesmos. Mas contradisse-se quando ordenou que seus oficiais, de modo acaçapado, executassem sem dó nem piedade todo homem que tivesse um brasão inglês no peito nos limites de seu território. Saravåj assistiu imóvel muitos companheiros sendo brutalmente esquartejados durante o tumulto, mas foi bem-sucedido em sua fuga. Se instalou, assim como a grande maioria dos ingleses sobreviventes, na pequena vila camponesa de Balistres, pertencente ao Reino da Gália (onde atualmente se localiza a França) e que fazia fronteira direta com a Península de Acqualuza.
Em Balistres, Constantin Saravåj enfim pôde encontrar-se com sua amada após sua fracassada e última missão militar. Após uma longa conversa, Camilly convenceu Saravåj a deixar o Exército Nobre da Inglaterra e se instalar na vila de terras férteis de Balistres juntamente a ela. Muitos ex-oficiais ingleses seguiram o mesmo caminho e colocaram o seu uniforme imperial na gaveta para se dedicar a uma vida pacata em Balistres. Entretanto, o nobre guerreiro iugoslavo ainda se preocupava muito com o que acontecia em Acqualuza. Em seus pensamentos, sentia muito pelo povo daquele lugar. A Pasárgada era uma ameaça muito maior do que os Winchestter. Tanto para a Europa Medieval quanto aos seus próprios cidadãos. Seria uma mentira dizer que a qualidade de vida do povo da península não melhorou muito com o governo da Pasárgada. Mas a corrupção continuava - a diferença é que, desta vez, acontecia de uma maneira inteligente. O grande coringa de Matiza Perrier era o próprio governo anterior à Pasárgada: os pasargadanos não erradicaram a corrupção. Apenas a diminuíram. Ainda assim, muitos recursos que deveriam ser destinados ao povo acqualuzense eram usados visando somente os interesses pessoais de Matiza Perrier e de seus aliados mais próximos. Em uma comparação inevitável com o governo descaradamente ilícito dos Winchestter, a impressão era a de que Matiza estava tirando leite de pedra e levantando a Península de Acqualuza da lama. A astuta ideia era, além de roubar, alienar o povo. Sem instrução econômica, os acqualuzenses idolatravam Matiza, que aumentava a sua popularidade com seus periódicos discursos infestados de falso moralismo. No balanço geral, uma minoria do povo enriqueceu e a grande maioria apenas se tornou menos pobre. Uma sociedade cada vez mais segregada entre ricos e plebeus. Tudo ocorria da forma mais perfeita possível para que Matiza Perrier enfim começasse a colocar as suas peças no campo adversário para dar início a um temível império pasargadano.
Saravåj, um dos pivôs da agora extinta CAJA, até queria fazer algo para que o povo de Acqualuza abrisse os seus olhos mais uma vez. Mas era totalmente desencorajado por Camilly. A garota queria que Saravåj se concentrasse na vida a dois. Camilly afirmou que para ela, pouco importava passar os seus próximos setenta anos como mera camponesa. Que não reclamaria se comesse cenoura, couve e batata todos os dias. A única coisa que realmente importava era estar ao lado de Saravåj. Juntos, vivos e seguros. Os seus futuros filhos poderiam viver uma infância alegre, brincando no campo e longe das guerras e de toda crueldade do mundo, realidade rara na Era das Trevas da Idade Medieval. A imagem de uma família perfeita e unida, mesmo que ainda somente na imaginação e muito longe de ser concretizada, era linda. Sendo assim, tanto Sabino III quanto Constantin Saravåj desistiram das terras da Península de Acqualuza, reconhecendo finalmente, que agora estas mesmas eram de domínio da Pasárgada. A paz reinou em Balistres durante alguns meses. Saravåj e Camilly residiram felizes naquela vila e fizeram inúmeros planos para os próximos anos. As colheitas foram um sucesso. A segurança, estruturada por antigos e competentes soldados do escalão de elite do exército da Inglaterra, era impecável. As crianças tinham acesso à educação de qualidade, tanto militar quanto acadêmica. Após muito esforço de seus residentes, Balistres via em seu horizonte uma década próspera e abundante.
Até que, durante um pôr-do-sol, a Pasárgada, faminta por ampliar os seus domínios, invadiu o vilarejo gaulês. Constantin Saravåj e seus companheiros bem que tentaram defender as suas terras com unhas e dentes, mas em vasta desvantagem numérica, foram facilmente reprimidos. Por mais uma vez, a Pasárgada patrocinou um massacre. Muitas pessoas, leigos e militares, foram mortas. A maioria delas, jovens que partiram deste plano sem concretizar os seus sonhos. Nesse ínterim do ataque do reino de Matiza Perrier ao vilarejo de Balistres, Camilly Shaw feriu-se com gravidade. Após ter uma lança atravessada em seu peito, a garota começou a perder muito sangue. Os remanescentes que restaram da investida pasargadana transcorreram para a metrópole de Nice, uma das maiores cidades da Gália e uma das pouquíssimas que contavam com assistência médica especializada. Novamente, a Pasárgada venceu e incorporou a terra de Balistres aos seus territórios.
Em Nice, Camilly foi uma das primeiras a receber atendimento dos paramédicos. Após uma rápida e sucinta análise, o iátrico afirmou a Saravåj que a hemorragia de sua dulcinéia era um quadro clínico irreversível para a medicina da época. Camilly Shaw deveria ter, na melhor das hipóteses, algumas horas de vida. E como se não bastasse, o médico ainda constatou que a garota estava grávida há algumas semanas e teria o infeliz destino cruel de falecer juntamente de seu bebê. Foram as palavras mais duras que já entraram pelos ouvidos de Saravåj. O garoto sentiu que estavam arrancando-lhe brutalmente a parte mais importante de sua essência. Camilly era motivo pelo qual Constantin Saravåj realizou atrocidades pela CAJA. Pelo qual desistiu da carreira militar. E, acima de qualquer outra coisa, a garota era o motivo pelo qual Saravåj estava disposto a matar e a morrer, se fosse necessário. Durante a caminhada até Nice, Camilly fez com que Saravåj prometesse que, independentemente do que viesse a acontecer dali em diante, ele não iria derramar uma lágrima sequer. Nem por ela, nem por ninguém. Mas o garoto iugoslavo foi incapaz de cumprir a sua promessa quando soube que iria perder a mulher da sua vida e seu primeiro filho de uma só vez. "Se Camilly morrer, por que ou por quem eu tanto matei?", pensava Saravåj, entre lágrimas e soluços. Matrimônio. Sonhos. Planos. Tudo virou pó de um instante para o outro. Em pouco tempo, o garoto estaria sozinho no mundo. Soava injusto, mas já não havia tempo para prantos. Durante a trágica notícia, inúmeros mensageiros da Gália chegaram aos berros em Nice, gritando pelas ruas de maneira histérica para quem quisesse ouvir que a Pasárgada estava invadindo a Gália de modo feroz. As tropas da grande metrópole gaulesa precisavam se organizar para um provável combate e os cidadãos daquela localidade eram jogados à deriva, sendo obrigados a se refugiar como pudessem.
Por mais uma vez, os sobreviventes do morticínio de Balistres teriam que fugir de seus algozes. Até a metade do caminho, Saravåj levou Camilly em seus braços, com a estúpida esperança de que Deus, se de fato se fizesse existente, oniconsciente, bondoso, justo e misericordioso, operasse um famigerado milagre. Até que, nos arredores de Paris, tornou-se inviável continuar carregando uma mulher que havia recebido uma sentença de morte. A consciência de Camilly estava por um fio. Os braços de Saravåj já há muito eram humanamente incapazes de continuar carregando um corpo tão pesado. Os retirantes precisavam se apressar, afinal, eles não sabiam o quão rapidamente a Pasárgada estava avançando. Não havia mais como adiar a despedida.
O garoto, afastando-se do grupo de Balistres, encostou Camilly em uma grande figueira. O casal, na escuridão da noite, era iluminado somente pela luz da lua cheia. A garota, em um último e doce ato, colocou nas mãos de Saravåj um colar dourado, que continha um pequeno pingente em formato de coração. E feito isso, fechou os olhos. Aos poucos, a sua respiração pesada cessou. E, por fim, o seu coração deu a sua última batida - um último "eu te amo" à Constantin Saravåj. Após a morte de Camilly Shaw, que sequer teve a oportunidade de ter um velório digno, os que restaram do vilarejo de Balistres continuaram a sua jornada durante toda madrugada. E só pararam quando alcançaram a cidade de Baden-Wüttenberg no nascer do sol, já no território da Germânia (nos dias de hoje, a Alemanha). Em solo germânico, todos os ex-soldados do Exército Nobre Inglês, entre eles, um abalado Constantin Saravåj, fizeram uma última continência à bandeira da Inglaterra, se despediram e trilharam seus respectivos caminhos.
"Olha bem, mulher. Eu vou te ser sincero. Eu sabia que ia dar errado. Esse mundo está corrompido e a felicidade aqui não passa de uma utopia. Nós vamos ficar longe um do outro por um tempo, mas ainda vamos nos reencontrar. Eu não posso te prometer, mas eu juro que anseio por isso do fundo da minha alma"
Após este calamitoso ocorrido, Saravåj nunca mais foi o mesmo. Tornou-se uma pessoa amargurada. Cheio de ódio no coração, admitiu para si mesmo que a criança da profecia não passava de um delírio. Também se convenceu de que todo o amor que ele podia dar em vida terrena, ou qualquer sentimento positivo que fosse, foram para o túmulo juntamente de Camilly Shaw. O garoto iugoslavo passou a dedicar a sua vida a tecer um planejamento suficientemente perfeito para derrubar a Pasárgada - e em especial, Matiza Perrier - já que estes haviam tirado tudo o que ele tinha de mais importante. Suas terras. Seu povo. Seu filho. O grande amor de sua vida. Dizimar a Pasárgada. Concretizar a sua vingança. É para isso que Saravåj passou a viver. Afinal, tudo o que era lindo. Tudo o que era bom. Tudo o que era perfeito. A Pasárgada destruiu.
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2019.02.22 21:29 13FHY Tobby whity

Era uma tarde de verão os raios de sol entravam pela janela enquanto minha mãe fazia sanduíches na cozinha até que ouvimos uma batida na porta eu me levanto correndo pensando que seria meu pai...mas não,nao era ele...quem estava ali era um homem alto de terno ele tinha um sorriso largo no rosto e me olhava carinhosamente depois de longos minutos minha mãe apareceu atrás de mim olhando para o homem
"Quem é você?" Minha mãe falava com uma expressão confusa e ao mesmo tempo seria
"Sou um amigo do seu marido" minha mãe pareceu confusa mas acentiu deixando o homem entrar eu segui os dois até a sala olhando o homem se sentar na poltrona do meu pai com a perna cruzada sorrindo para minha mãe que logo fez menção de retribuir
"Qual seu nome pequeno?" Eu despertei de meus devaneios e encarei o homem a minha frente
"S-sou o Lucas" o homem sorriu e inclinou-se com a cabeça na sua mão
"Sou Diana e você?" Minha mãe tentava disfarçar a desconfiança em sua voz mas eu sabia que ela estava desconfiada daquele estranho amigo do meu pai
"Sou o tobby whity" minha mãe concorda novamente até que ouvimos um barulho na porta minha mãe se apressa em atender e meu pai entra na sala estava ofegante e com as roupas meias desajeitadas que o normal
"Acho melhor você subir pequeno Lucas" o homem falou me olhando...Eu olho para meus pais e meu pai concorda com a cabeça eu levanto e vou para o meu quarto confuso fechando a porta atrás de mim fiquei horas e horas sentado na cama entediado
"F-filho desc-ça por favor" meu pai guaguejou lá de baixo era estranho o que tinha acontecido para ele ficar daquele Jeito. desci as escadas correndo encontrando minha mãe com a expressão de medo e meu pai com algumas lágrimas nos olhos aquele homem continuava com o sorriso
"O tobby vai ficar por um tempo com a gente trate ele bem" não entendi muito bem mas concordei com a cabeça tobby que estava ao lado dos meus pais veio até mim pondo as suas mãos nos meus ombros
"Espero que sejamos amigos pequeno" tobby fala
"S-sim" aquilo tudo estava me assustando muito mas decidi ficar quieto e obedecer tudo.
(1991)
Estava no sofá lendo um livro que tinha ganhado de presente do tobby ele era legal comigo comprava doces e me levava para todos os lugares que meus pais não deixavam
"Você gostou mesmo deste livro não é" eu olho para ele que estava sentado à minha frente. Eu abaixo meu livro e respondo sua pergunta
"Acho que sim" sorrio meio sem jeito agora olhando o livro
"Ele fala sobre o que"
"Ahn....sobre o amor de dois jovens" ele sorri se levantando e vindo em minha direção logo se sentando do meu lado com a umas de suas mãos atrás da minha cabeça e a outra ficou na minha coxa alisando ela lentamente
"Não...mas foi uma ótima resposta...vou te dizer o que e o amor" ele fez uma breve pausa mas logo começou a falar novamente
"O amor e quando você ama tanto uma pessoa que quer fuder com ela de qualquer jeito e morreria se não fizesse...isso é o amor" eu estava paralisado queria empurra-lo e sair correndo o mais rápido e me trancar no meu quarto mas eu não me mexia meu corpo não obedecia meus comandos
"Você ama alguém assim" Ele sussurra perto do meu ouvido me fazendo arrepiar. Eu balanço a cabeça negando enquanto ele continuava com suas mãos na minha coxa mas agora apertava um pouco mais elas
"E-eu quer-ro ir embora" estava tremendo sentia as lágrimas descerem pelo meu rosto sinto o sorriso de tobby aumentar e assim Ele beija minha bochecha molhada pelas lágrimas
"Somos amigos não somos...confie em mim" ele agora escorregou sua mão pela minha cintura apertando firmemente e com a outra pegou meu queixo e virou meu rosto de encontro ao seu assim me beijando. Senti sua língua na minha senti seu gosto se misturar com o meu. Eu tentava empurra-lo mas suas mãos forçavam minha nuca a aprofundar o beijo....depois de longos minutos ele me solta deixando uma fina camada de saliva eu o olhava apavorado enquanto ele sorria
"Esse foi seu primeiro beijo" eu me sentia enjoado queria soca-lo e fugir e nunca encontrá-lo novamente queria correr para os braços dos Meus pais e contar tudo mas também algo martelava em minha mente como eles iriam reagir com nojo por seu único filho beijar outro homem eles iriam me odiar ou iriam me apoiar
"Tsc você não pode contar isso para ninguém vai ser nosso segredo" eu engulo em seco e concordo com a cabeça ele chega mais perto
"Eu vou ir no seu quarto hoje a noite deixe a porta aberta" ele sussurra saindo e me soltando me deixando sozinho...Eu limpo as lágrimas e tento me acalmar
(20:30)
Tinha acabado de comer estava deitado na minha cama com os olhos arregalados olhando a porta a escuridão tomava conta do corredor me deixando mais assustado.
Me viro paro o lado tentando não olhar muito para o corredor...Estava quase pegando no sono quando sinto a cama ao meu lado afundar e mãos tocarem minha pele por debaixo da camisa sinto a respiração no meu pescoço e o medo começar a florescer dentro de mim pelo que vinha a seguir. Minhas calças estavam sendo tiradas junto com minha cueca e assim me virando afundo minha cabeça no travesseiro enquanto sinto lágrimas molharem ele sinto a pessoa se deitar sobre mim e começar a beijar minhas costas e dar fortes mordidas eu já não aguentava segurar o grito então ele põe uma fita em minha boca e também amarrando minhas mãos nas madeiras da cama. Ele levanta meu quadril batendo fortemente em uma de minhas nadegas eu chorei mais meus cabelos grudavam no meu rosto e logo depois senti uma dor insuportável nas minhas partes íntimas eu tentava a todo custo me desprender das amarras mas era inútil a dor só aumentava enquanto eu me mexia para tentar escapar. Minhas pernas que antes estavam levantadas agora escorregavam pelo colchão mas mãos seguraram minha cintura me levantando novamente a posição atual só que agora me movimentando para frente e para trás fazendo a cama ranger e bater na parede eu esperava que meus pais ouvissem e viessem me socorrer....mas nada aconteceu ele continuou com isso em diferentes posições e quando tudo acabou estava cheio de marcas meu corpo todo doia minha cabeça doia e senti alguém bater forte em minhas coxas eu levanto num pulo
"Levante precisa tomar um café" ele estava com uma camisa branca e calças pretas sorrindo abertamente eu novamente me senti enjoado lembrando das cenas minutos atrás
"Ou você quer ficar aqui na cama e maratonar comigo" ele se aproximou com um sorriso malicioso no rosto eu rapidamente me levantei e pedi para ele sair enquanto iria trocar de roupa....ele obedece enquanto eu visto minhas roupas tentando ao máximo não parecer machucado ou assustado.
Desço as escadas encontrando meus pais e tobby sentados mas tinha algo estranho tobby estava sentado na poltrona do papai junto com ele minha mãe servia café sorrindo abertamente e meu pai no sofá ao lado cabisbaixo
"P-papai" eu guaguejei todos olhavam para mim fui andando ignorando a dor que estava me incomodando e parei em sua frente
"Filho t-tudo bem" Eu sabia que ele estava forçando um sorriso mas eu deixei de lado e acenti olhei novamente para minha mãe e seus olhos estavam inchados e vermelhos mas continuava sorrindo....tobby me olhava de cima abaixo minha mãe percebeu e entrou na sua frente fazendo ele olhar diretamente para ela
"Quer mais café" ela fala ainda com o sorriso no rosto meu pai pega na minha mão e sussurra para ir brincar com as outras crianças eu concordo saindo indo até a casa da frente onde tinha uma garota mais velha que eu chego lá e bato na porta sua mãe abre estava estranha olhos vermelhos e suas bochechas estavam vermelhas
"O-oi Paulo....o que f-faz aqui"
"Vim...brincar com a rose"
"Rose...ah ela está mal"
"Tudo bem" Eu abaixo minha cabeça e volto para casa mas até que vejo o vizinho do lado estava saindo de sua casa seu braço enfaixado junto com seu olho roxo ele me olha e da um leve sorriso
"Filho vem vamos sair" minha mãe com meu pai saindo às pressas da casa ela me pega pela mão e me guiando até o carro eles me levaram para o shopping e ficamos comendo e passeando por todo lugar voltamos de noite para casa minha mãe me mandou ir direto para o quarto e não sair até Amanhecer...Eu achei estranho mas obedeci tobby não foi essa noite o que me tranquilizou mas logo escutei uns barulhos e vozes vindo de lá debaixo.... eu lembro que minha mãe me disse para não sair mas a curiosidade era maior então eu desço as escadas silenciosamente mas paro em um dos degraus meus pais estavam em volta e tinha mais os vizinhos tobby estava amarrado em uma cadeira sorrindo
"Chegou a sua hora desgraçado" o vizinho da casa ao lado falava enquanto olhava com raiva para tobby
"Vamos te matar você desgraçou demais nossas vidas" Rose a vizinha da frente de minha casa falava
"Queime no inferno filha da puta" meu pai falava bem em frente ao rosto de tobby depois se afastou tirando uma arma da cintura e apontando na cabeça dele enquanto sorria
"Você vai queimar no inferno quando eu vim te buscar junto com a vadia de sua mulher"
"Cala a boca seu merda" meu pai cuspia as palavras mas tobby não parou
"E sabe o que vou fazer com seu filho vou fuder de novo ele até não conseguir mais andar" eu estremeci os vizinhos olhavam apavorados e com nojo ao mesmo tempo meu pai apertou o gatilho...o som alto fez eu tampar meus ouvidos mas logo tiro eles quando ouço a risada de tobby ele levanta a cabeça e um líquido preto saia de sua testa mas logo em seguida uma dor de cabeça forte me atingiu e da minha testa saiu um pouco de sangue
"Que merda e isso" o outro vizinho falava minha mãe grita para a vizinha pegar um galão de gasolina e ela obedece e volta correndo derramando em tobby meu pai pega o fosforo e acende tocando no corpo de tobby...ele não se mexia nem gritava até que seus olhos encontram o meu e seu sorriso se alarga mais eu corro novamente para o quarto só que desta vez suava parecia que estava queimando por dentro consegui dormir mas com muita dificuldade minha mãe me acordou chacoalhando ela estava com a expressão preocupada
"O que" perguntei ofegante aquela queimação não parava minhas bochechas ardiam
"Esta com febre" ela me pegou e entrou no carro pude ver uma parte do chão preto na sala efeito da noite de ontem minha mãe acelerou e conseguimos chegar no hospital a tempo o médico me examinou e receitou um remédio e repouso
"Mamãe vai ir pra casa por um segundo e já volta ta" ela falou beijando minha testa e logo cobrindo com o pano molhado eu aceno com a cabeça e ela fecha a porta atras dela....Eu fiquei esperando por horas ela voltar mas nunca a vizinha veio me buscar já era 20:30 ela tinha me deixado lá as 7 da manhã
"Olha ela deve ta trabalhando muito e não teve tempo" a vizinha tentava me confortar mas eu ficava mais apreensivo chegando na minha casa corri e abri a porta cai no chão naquele exato momento cabeça do meu pai e minha mãe penduradas seus corpos estavam na mesa com os órgãos para fora as paredes sujas de sangue e palavras escritas em sangue
"Estou dentro de você pequeno"
A vizinha liga para a polícia imediatamente enquanto outros vizinhos tentam me confortar a polícia prometeu achar o assassino o caso foi noticiado nas mídias e algumas falavam mentiras sobre drogas e outras coisas fui morar com minha tia depois disso e agora com 13 anos estudo em uma escola particular tecnicamente vivo feliz mas aquilo sempre irá me encomodar principalmente agora que estou sozinho em casa e tem um homem na esquina olhando minha casa.
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2018.02.13 03:27 pedrothegrey O Insignificante

I.
Borges era uma homem desimportante. Bebia constantemente, mas não o suficiente para que seus colegas ou esposa achassem problemático. Fumava quando se encontrava nervoso ou ansioso, excedia os limites de velocidade de quando em vez, e deixava a toalha molhada em cima da cama após o banho. Seus vícios pareciam sob seu controle, a todo tempo.
Era calado, culto, porém deveras alienado. Tratava bem de sua esposa. Trazia, para ela, doces nas datas românticas e jóias sem brilho no Natal. Ela não tinha nenhuma surpresa mas nenhum desagrado sério com Borges. Quando conversava com suas amigas casadas, sobre seus maridos que por vezes eram infiéis, apostavam somas obscenas de dinheiro nos cavalos, se metiam em brigas de rua, e até ameaçavam socos, sentia uma curiosidade mórbida pelo pecado, ao mesmo tempo em que aceitava ser melhor por ter Borges por perto.
Ele nunca fora genial no colégio. Na quinta série, percebeu que quando estudava muitas horas para uma prova, conseguia o mesmo resultado que quando não havia aberto os livros. Conseguiu ingressar em uma universidade, muito embora não fosse a que ele tinha vontade de entrar. Falhou alguns exames, foi aprovado sem grandes honrarias, no meio de tantos outros. Foi efetivado no lugar onde fazia estágio, uma pequena empresa no subúrbio, e na única noite em que saiu com os colegas para o happy hour, conheceu sua mulher. Desposou-a três meses depois, quando tinha 25 anos e um carro popular.
Quando seu pai aposentou-se, o convidou para que conversassem e bebessem algumas cervejas. Borges beijou a sua esposa com os lábios secos e disse adeus, ela disse um adeus afetuoso, embora não tivesse desgrudado o olho da televisão. Ao chegar no sitio de seu pai, Borges se depara com uma mesa, do lado de fora da casa, com uma maleta comprida aberta sobre ela. Seu pai estava sentado ao lado da mesa, limpando a espingarda recém-comprada. Mostrou, orgulhoso, ao filho a compra que havia feito.
— Quer fazer um teste? — perguntou. — É mais fácil do que parece, vou colocar um alvo ali pra você.
Bebeu de um gole o resto da cerveja que estava na lata, e a colocou a 20 metros de Borges. Este, pegou a espingarda com um desajeito quase infantil, posicionou a coronha nos ombros e mirou na latinha. Antes de atirar olhava para o pai, como se dissesse "Tem certeza que essa é uma boa ideia?", e era correspondido por um olhar ansioso e debochado. Tomou coragem, talvez toda a que tinha, e deu o tiro. O barulho machucou seus ouvidos, sentiu o coice poderoso da arma em seus ombros, o cheiro de pólvora queimada, o calor do cano. Era um equipamento bruto, robusto, porém tinha certa dose de beleza, de graça, o suficiente para que Borges pudesse apreciar.
Ao se aproximarem do que se sobrou da lata, Borges ficou espantado com o resultado do tiro. Ele havia obliterado um objeto com o toque de um dedo. Havia naquele momento, para o observador cuidadoso, uma pequena centelha em seu espírito, um brilho no seu olhar, tão sutil que poderia ser confundido com o reflexo da luz. Sutil, efêmero, porém presente.
Dirigiu seu carro cinza para casa, e no caminho sua mente só pensava naquele momento mágico, naquela sensação que nunca havia sentido antes. Ao leitor desavisado, pode-se ter a impressão de que uma paixão se fez presente em sua alma, mas Borges era incapaz de um vício tão eloquente. Era, acima de tudo, uma obsessão fria, muda e nada tinha de viril. Quando chegou em casa, encontrou sua esposa na mesma posição de algumas horas atrás. Após tomar um banho rápido e trocar sua roupa cinza por uma caqui, se deixou cair na cama, mas sem soltar demais o corpo. Se sentiu feliz pela esposa não ter prestado atenção na tolha molhada que estava debaixo de seu pé.
— Meu amor, acho que vou comprar uma arma e caçar. — disse, enquanto seus dedos passeavam, sem cor, pelo rosto da mulher.
Sua esposa moveu os olhos suavemente para o lado e olhou fundo nos seus olhos, e não vira naqueles olhos cinzas, pálidos, um ímpeto para uma ação tão... tão... diferente. Colocou, gentilmente a mão em seu rosto, e também o acariciou levemente. Seus olhares se cruzaram por um período que levaria até Zelda e Scott Fitzgerald ao desconforto. Depois dessa pequena eternidade, ela só podia concluir que ele havia descoberto o leve descontento que tinha por sua previsibilidade, e, como havia lançado essa ideia sem nenhum contexto, achou que o fazia meramente para agradá-la. Seus lábios esboçaram um sorriso delicado e dormiram após o costumeiro beijo de boa noite.
II.
Na semana seguinte, chega em casa com uma maleta comprida, igual a do seu pai. Sua mulher estava fazendo café e quando olhou para o marido, deu um grito e um pulo para trás, quase derrubando o café. Ele mostrou a ela todos os acessórios que havia comprado, ensinou os nomes de cada parte da arma, deu uma breve explicação sobre o funcionamento dela e por fim, deixou-a segurar a arma. Ao falar, parecia haver memorizado toda uma cadeia de informações, na sua voz não havia uma empolgação genuína, era como se estivesse lendo uma revista técnica de tiro.
Sua esposa ouve tudo, mas sua visão adquire um aspecto onírico. Ela se sente confusa e com uma certa náusea de toda a situação. Não só ele havia comprado uma arma — o que ela nunca aprovaria — como ele o havia feito, embora de maneira planejada, nesse ímpeto remotamente (e ela recuava quando sua mente pensava nisso) adolescente. Ele estava no banho e só se deu conta de que não havia ninguém falando quando ouviu o barulho da chaleira. Dormiu numa perturbação a nível espiritual. Todos os finais de semana de Borges eram passados no campo de tiro. Treinou como uma máquina, não vibrava quando acertava na mosca — o que ocorria com surpreendente frequência — nem esbraveja quando errava o alvo. Anotava seus pontos e mostrava para a esposa quando chegava em casa. "Que bom, amor", dizia, sem olhar para o resultado. Borges nunca notou, pois não tirava os olhos do resultado.
Certa vez, estava limpando a espingarda na sala, quando um pombo se equilibrou nos fios do poste. Continuou limpando a arma e montou-a novamente. Se levantou do sofá e viu o pombo estático, pendurado nos fios. Uma estranha força se havia apoderado dele, não mais tinha controle sobre seu corpo. Sem compaixão, sem vileza, atirou no pombo. O barulho ressoou forte na sala de estar, ouviu o grito da esposa que correu para a sala, os vizinhos que gritavam e perguntavam se estava tudo bem. Mas ele não tinha ouvidos para isso, se concentrou no som pesado da bala atingindo o peito da ave, o bater descontrolado de asas na tentativa desesperada de tentar voar, o som seco e desolador da queda do corpo do animal no chão. Todos esses pequenos momentos ecoavam em Borges, enquanto sua esposa tentava explicar a situação para os vizinhos. Borges tinha uma nova (se é que podemos chamar assim) vontade e sua esposa tinha o que conversar na próxima reunião de esposas.
III.
Meses depois. Eram 19h e Borges não havia chegado em casa. Sua mulher não sabia como reagir a essas duas horas de atraso. Ele bateu de carro? Fora assassinado? Parou para beber? Mas tudo isso parecia tão irreal que sua preocupação tinha um gosto quase sobrenatural. Teria Borges absorvido aquele delicado ímpeto transgressor em sua alma? Tinha ele essa capacidade, esse tipo de caráter anárquico? Havia sumido com sua arma e carro, este, fora encontrado abandonado na estrada, ao lado de uma mata que se estendia até o horizonte. Borges havia sido regurgitado pelo subúrbio? Tudo que se sabia era que havia entrado — e era consenso geral de que se havia perdido — no meio da mata. Novamente é enfatizado ao leitor que aquela decisão não fora tomada de ímpeto, no meio do trânsito, com o rádio ligado. Não existia uma paixão que o carregava até a natureza, nem um ódio que o pudesse mover para fora do subúrbio. Não tinha um amor tão expressivo pela mulher para que o impedisse, tampouco era indiferente a ponto de não deixar um pequeno bilhete no carro, que dizia:
Adeus, meu amor. — Borges.
Dormiu no chão nos primeiros dois dias. As formigas, os mosquitos e outros tantos insetos inomináveis se banqueteavam com ele. Depois de uma noite infernal de picadas e mordidas, acordava molhado de orvalho, com os primeiros raios de sol que cortavam entre as copas das árvores. Conseguiu fazer uma pequena cabana de folhas e galhos, e isso o ajudou imensamente. No quarto dia, quando acordou com um pouco menos de dor, pegou o rifle e o carregou, e ficou esperando, na beira de um lago (que havia encontrado no dia anterior) um alvo que pudesse atirar. Mas nada apareceu, nesse dia ou no outro, ou no outro, ou... Seu estoque de comida — alguns enlatados e biscoitos — havia acabado e, além de frutas, nada tinha para se alimentar. Desistiu de tentar caçar e simplesmente se sentou à margem do rio, observando o fluxo da água, ouvindo o farfalhar das folhas, o canto dos pássaros. Entrara num estado de transe insensível, parecia que a vida era constituída somente daquele momento e daquele lugar, mas não sentia nisso uma alegria particular. Apenas aceitava como um fato. Lembrou-se da quinta série, sem nenhuma razão especial.
Seu coração acelera quando ouve o barulho de um galho seco que se quebra, e uma pata que se leva ao chão devagar. Ele sente aquela mesma força invisível que leva seu braço à arma. Engatilha suave e lentamente a espingarda. A capivara mostra seu corpo grande e desajeitado e se inclina para beber água. Do outro lado da margem, Borges, como um animal selvagem, sem vileza, sem piedade, age como se todo o mundo esperasse que ele agisse. Toma uma decisão como se não pudesse tomar outra, uma decisão, que não foi necessariamente irrefletida, mas destituída de toda culpa moral. Não havia outra coisa a se fazer.
Borges aperta o gatilho. Passara dias sem ouvir nada além de grilos e água corrente, e o barulho da explosão foi nuclear. Quase podia sentir a onda de choque que avassalava a paz da mata. Os pássaros voaram imediatamente e o som de suas asas ecoou junto da explosão por alguns segundos. A capivara fora atingida no coração, seus olhos se arregalaram e ela caiu para o lado, tesa, nas margens do lago. Borges arrastou o animal até a cabana, cortou sua barriga e retirou suas entranhas. Se sujou da cabeça aos pés, não tinha nenhuma noção do que estava fazendo. Retirou um pedaço de carne do animal, com um pouco de couro no exterior e o colocou na fogueira, que demorou algumas horas para que conseguisse acender. Fez isso da mesma maneira que praticava tiro, fazia anotações mentais dos movimentos que foram eficazes e dos que não foram, etc. Comeu a carne dura e sem gosto do animal. Mas isso não importava, pois não o havia matado pela carne, nem tinha alguma satisfação especial na comida.
A noite caiu e, enquanto a fogueira crepitava em seus suspiros finais, o calor das brasas aquecia a cabana de Borges. Se deitou e dormiu um sono sem sonhos. No meio da noite, ouviu um barulho ao longe, o som de uma lembrança distante, um som caótico e bem sutil, quase delicado. Se levantou sem fazer barulho e saiu da cabana, com a arma em mãos. Estranhas luzes vinham em sua direção, e o barulho ficava cada vez mais alto.
Como um animal encurralado, correu para a beira do lago, onde a lua talvez pudesse iluminar os agressores, e onde podia ter um alvo claro. As luzes continuavam o seguindo quando chegou no lago. Um som de algo desesperado se ergue no meio do caos, um som agudo, suave, gracioso, mas tenso e trêmulo. Borges tropeça e cai no lago, e uma estranha criatura pula em sua direção, emitindo esse som tão estranho. Por puro reflexo evolucional, instinto de autopreservação, Borges atira na criatura.
O clarão da explosão revela o rosto de sua esposa. Que cai nas margens do lago, ao lado de Borges. Seu rosto que, outrora, exibia uma vida pálida e fria, agora tinha um aspecto vivo e aterrorizado. O sangue da mulher corre pelo rio, fazendo uma mancha que tem um brilho macabro sob a luz da lua. Borges retoma sua consciência anterior, daquele pequeno subúrbio e das regras daquele mundo. As luzes que o seguiam param nas margens, nada mais são que policiais à sua procura, provavelmente liderados pela esposa na busca.
Borges sente de novo a força incontrolável e aponta a arma para os policiais. Mas algo novo surge sob a luz da lua. Borges sente. Sente algo, sua alma é tempestade, ímpeto, sua filosofia, o martelo, seu deus, ele mesmo e a sua vontade é a da lua. Coloca o cano da espingarda na boca e aperta o gatilho. Sua nuca explode, deixando no rio uma mancha de sangue, que finalmente, faz companhia à esposa.
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2017.02.15 22:01 Scalira Right Where It Belongs

THROW ME IN THE LANDFILL
Havia sete anos que Mick Rory não ateava fogo a nada.
Havia jurado pelo sangue de sua mãe não começar um incêndio outra vez, não importando a beleza das chamas deflagradas a beijar e retorcer a madeira. Ou o quão bonito era vê-las crescer, uma força em si mesmas, um inferno calcinante que não deixava nada em seu caminho; vibrantes como a vida e impiedosas como a morte. Havia jurado por Leonard, o garoto que conhecera trinta anos antes no reformatório e que precisara salvar de ser esfaqueado até a morte, e com quem crescera contando estórias no meio-fio de uma estrada, bicicletas jogadas a um lado, ignorando que Lenny trazia um olho roxo e que rir, para ele, doía. Leonard, dos planos infalíveis e do sorriso gatuno que lhe fazia acreditar que tudo daria certo, no fim. Dos olhos frios, das emoções reclusas, o garoto Snart que não deixava ninguém chegar perto demais para ver o que havia por trás de suas barreiras de gelo, por trás de suas defesas tão bem construídas.
Jurou pelo mesmo Leonard que chorou à sua hospitalização.
Mick não tinha como saber com certeza.
Havia começado como sempre começa: uma chama inocente queimando em algum lugar; uma faísca. E Rory a alimentara para vê-la crescer e consumir e devorar: uma deusa dourada, implacável e cruel, verdadeira e justa. Ela o chamava, o convidava a descobrir os segredos do universo, aqueles segredos sussurrados apenas na sabedoria do fogo e, oh!, ele os queria descobrir. Os sons calavam quando o fogo falava e tudo ao redor – a casa rangendo, as vigas retorcidas, o teto desabando – nada disso importava, nada disso valia se o fogo apenas dissesse que o queria, chamasse seu nome...
Estava engolido nas chamas quando Leonard voltou por ele.
Estavam no meio de algo importante, não estavam? Mick já não conseguia se lembrar o que era. Tantos anos de vida no crime tornavam difícil distinguir os roubos pequenos dos grandes, os assaltos a mão armada dos intrincados planos milionários e com o fogo tão perto, tão quente e tão gentil, Rory não conseguia sequer lembrar-se de onde estavam. Alguém gritou que não deviam ter chamado o incendiário; uma voz tão fraca que implicava distância e pés fugidios que se afastavam do prédio, mas não os de Leonard. Os de Leonard faziam o caminho inverso, para longe da segurança e da noite clara e fumarenta e para dentro do inferno e do fogo, querentes de levar Mick com eles.
— Mick! — O ouviu gritar, não pela primeira vez. Mas o som era tão distante, tão fraco e irrisório frente ao estalar das chamas que não se voltou para vê-lo — Mick, nós temos que ir! Mick!
Outra noite Mick teria ouvido. Se as mãos de Leonard – aquelas mãos enluvadas, finas demais para esses trabalhos – o houvessem conseguido alcançar, Mick teria ouvido. Só que as chamas o engoliam em uma miríade, uma torrente, um paraíso de labaredas dançantes e sedutoras que se postavam entre ele e Lenny. Mick não podia ser alcançado. Não podia ser detido. As chamas o consumiriam e – deus, ele não negava – a morte seria bem-vinda.
Em algum momento, a voz de Lenny calou. Em algum momento, a escuridão o tragou. Em algum momento, as chamas cessaram.
Não esperava acordar.
Passou dias em tratamento intensivo. Quando foi finalmente movido a um quarto não recobrou a consciência. Foram semanas entre a realidade e a ilusão, o sonho e o desespero, alucinando na tênue linha da mortal eternidade. Mais de uma vez pensou-se morto; a voz canora de sua mãe o chamava de filho e o convidava a ir para casa. Tantos anos perdido e agora finalmente encontrava o caminho de volta – era questão de seguir e aceitar. Mas noite dessas ouviu um soluço. Um soluço que pedia para ser perdoado, que pedia desculpas, que chorava em seu leito. Na junta do pescoço com o ombro, sentiu suas lágrimas. Elas trilhavam um caminho salgado nuca abaixo e era o único gosto de realidade que este sonho ainda tinha.
— Mick — Naquela voz roubada de Lenny, quebrada de choro — Mick, eu sinto tanto.
E aquela ilusão não convencia porque Lenny jamais pediria desculpas – jamais teria pelo que se desculpar. Tudo o que fizera, todos esses anos, fora salvar Mick do inferno de ser quem era. Trazer à sua vida o mínimo de normalidade. Lenny era uma constante, uma luz em meio a tormenta de se estar perdido sem saber de onde viera ou para onde iria. Leonard o fez sentir-se como parte de algo outra vez e Mick não se sentia assim desde a infância, vivendo em uma cidadezinha campestre a oeste da civilização. Embora as memórias deste tempo não estivessem exatamente lá, uma parte de si se lembrava amado e querido. Lembrava, também, de ter uma família e de ser mais do que empecilho ou ferramenta; lembrava de pertencer e do calor dos abraços, dos afagos e dos beijos, das noites embaladas de estórias e da afeição incontida. Por que Leonard se desculparia por ser sua família?
— Mick, eu sempre... — E as palavras sussurradas só para ele ouvir eram sonho e fantasia, eram delírio e pesadelo, eram tudo o que Mick sempre quisera e mais do que podia aceitar e este Leonard era utopia que selava o que tinham de um jeito que nenhum dos dois jamais se atreveu.
Mick nunca teve como saber com certeza que aquela noite não fora um delírio. Que Leonard Snart, o próprio, viera ao seu leito e chorara por ele por pensar-se culpado de alguma mágoa só sua. Mick jamais soube, mas a lembrança desta noite – sonho ou realidade – fê-lo prometer que nada daquilo se repetiria, mesmo que implicasse se afastar para não ferir; dar as costas ao bando de Leonard sem dizer para onde ia, incapaz de crer-se estável o bastante e controlado o bastante para deter-se diante das chamas. E se tivesse que escolher entre Leonard e o fogo, não estava bem certo do que escolheria. Para viver consigo, debaixo daquela casca de corpo onde deveria ter um homem, Mick deu-lhe as costas e não olhou para trás. Leonard não o procurou.
Sete anos e as coisas continuavam iguais.
Controlar a vontade do fogo não foi fácil.
Esses anos todos foram repletos de remédios e terapia, visitas psiquiátricas e duras observações. Os grupos de apoio – Mick pagou com a língua por rir dos imbecis que a eles se juntavam – foram, talvez, a mais útil das medidas que tomara. Saber-se junto de outros seus iguais ajudava. Aplacava essa voz insistente e ranzinza, gritando que era um doido; um psicótico que, como o fogo, só era capaz de calcinar e destruir, deixando nada além de cinzas por onde quer que passasse.
Foi difícil aceitar que não teria a companhia das chamas outra vez.
Não foram poucas as vezes que se viu em recaída olhando para labaredas que subiam e estalavam e beijavam e mordiam. Embora os fogos jamais tenham saído de controle, a pontada de culpa logo virava maré e mar em ressaca e Mick se via à deriva nessas águas de autocomiseração.
Toda vez que se olhava no espelho – e ele se forçava a se encarar no espelho, a camisa puxada acima dos ombros para ver os estragos – tinha de ver os ombros e as costas lavrados de cicatrizes; marcas fundas na pele que se arrastavam para todos os lados como um polvo cujos tentáculos jamais se esticariam o bastante para naufragar navios no mar branco de suas costas. O horror que o fogo deixara manchara para sempre sua carne e sua vida.
Uma parte sua gritava que essa era sua verdadeira natureza: monstruosa, deformada, tingida pelas chamas que tanto amava e a que se entregaria sem pensar, consumido na abençoada inconsciência que o fogo traria. Mas outra parte – o todo de quem era – tinha de se lembrar que não era por ele. Era por Leonard. Porque aquelas marcas poderiam muito bem não ter acabado em seu corpo, mas em Leonard. O mesmo Leonard que se orgulhava da pele macia, das mãos finas de gentleman, da beleza que traía o fosso onde crescera com seu pai e irmã. Aquelas marcas do fogo poderiam ter-lhe tomado a vida, a forma, o corpo e a carne; incinera-lo a uma massa pútrida e informe a ser deixada para trás para ser reconhecida pelos dentes. E teria que suportar Lisa olhando para ele – para aquilo que restara do irmão – e erguendo os olhos de princesa para encará-lo com raiva, com ódio, com as chamas do fogo gritando vingança.
Todas as vezes que se via no espelho Mick Rory se forçava a ver este cenário, vivo como uma brasa que queimasse em sua mente e por trás de suas retinas. E todas as vezes que baixava a camiseta estava resoluto a seguir em frente mais um dia.
Fugiu para algum lugar da boa e velha América, para uma dessas cidades sem nome que malmente figuram em um mapa. Bom lugar para permanecer de tocaia, para esperar a poeira baixar até que as coisas se acertassem outra vez, para largar-se com as costas no chão e os pés para cima até seu cheiro desaparecer na poeira da estrada. Mas este era seu passado falando; um Mick Rory que não existia mais.
As coisas nunca se acertariam outra vez.
Este lugar era agora sua casa, inda que lar fosse uma palavra que não usaria de novo. Não era amado, tampouco temido. Os anos que ali vivera o tornaram uma constante dessa cidadezinha; um membro que era pouco mais que figuração, parte da paisagem, rotina. Tinha um emprego medíocre numa oficina mecânica e se comprazia em dar ofício às mãos. Quando elas trabalhavam, calejadas e sujas de graxa, a mente se ocupava dos detalhes e das peças, das engrenagens e dos parafusos e se afastava da escuridão que gritava pelas chamas.
Os dias passavam indiscerníveis e iguais. Era uma existência monótona, preto e branca, tão diferente dos tempos efervescentes que passara com os Snarts e seu bando. Volta e meia se pegava pensando naqueles roubos, nas expressões aparvalhadas da polícia, na pilhagem e nos espólios e ria sozinho. Seus colegas o tomavam por louco – e como estavam certos, mas pelas razões erradas! –: o imbecil musculoso que dava para falar sozinho e rir por motivo nenhum. Mick deixava que pensassem o que quisessem. Leonard o havia convencido, tantos anos antes, dos benefícios de ser subestimado e de passar despercebido.
— Ei, grandão! — Porque nesse lugar esquecido por deus ele não tinha um nome. Era “o grandão”, “você aí”, “o cara lá”. Tudo certo. — Tem alguém procurando por você!
E lá nos fundos da oficina estava Leonard Snart, o próprio, bem do jeito que Mick lembrava.
Após sete anos no escuro, Mick Rory viu as chamas outra vez.

Leonard Snart era um homem de palavra.
Ele não acreditava em deixar um dos seus para trás, muito menos em trair a confiança que lhe fosse imposta. Não eram muitas as pessoas que mereciam seu apreço e estas poucas com quem se importava eram aquelas que protegia. Leonard sabia que, em sua linha de trabalho, aqueles que você ama são sempre usados contra você; as únicas coisas que podem te ferir são as dores causadas àqueles por quem você daria a vida. Mas não se importar era a mesma coisa que não estar vivo. Lenny preferia os riscos desta afeição a uma existência vazia que não se perdoaria viver.
Assim, quando Mick Rory deu baixa no hospital – o mesmo hospital para onde Leonard o havia arrastado num desespero de que nem bem se lembrava; o hospital que tivera de pagar do próprio bolso, arrumando um emprego de fachada – e decidiu por conta que não iria voltar com eles, mas sim partir para sabe deus onde, Leonard teve que engolir o orgulho e a honra e todas as bonitas palavras ensaiadas que o fariam ficar. Teve de medir sua paciência e impedir-se de fazer algo de que se arrependeria. Teve de respirar e forçar-se a encontrar a calma; um lugar dentro de si para onde ia para esquecer de quem era. Teve de fechar os olhos e saber que era melhor assim.
Quando Mick partiu Leonard não o procurou.
Havia algo naquelas costas que sumiam na distância que diziam que essa vez não era como as outras. Que Mick não voltaria com um sorriso vagabundo e um ar de cachorro abandonado, nem que Leonard devesse procura-lo e consertar fosse lá o que houvessem quebrado. Len tentava esquecer que talvez fossem as cicatrizes – aquelas fundas e feias cicatrizes que carcomiam a carne e que rajavam os ombros e que despontavam mesmo das mangas longas dos casacos. Tentava esquecer que talvez fosse o fogo, talvez fossem as chamas, talvez fosse um chamado. E tentava esquecer que Mick Rory não voltaria atrás naquela decisão.
Melhor assim, era o mantra repetido para se convencer de que não falhara com Mick. De que não fora sua culpa as coisas terem chegado tão longe. De que não fora preciso que um dos dois quase morresse para verem que não podiam seguir em frente, não assim. Melhor assim. E tinha que se forçar a engolir essa sensação de que estava deixando Mick para morrer, como um gato velho demais e doente demais que se afasta de casa para perecer sozinho.
Os trabalhos foram surpreendentemente bons ao longo dos anos.
Leonard sabia que não ter Mick por perto tinha lá suas vantagens.
Para começar, era muito mais fácil pensar sem tê-lo por perto. Era fácil planejar seus golpes sem se preocupar se Rory conseguiria manter-se sob controle, se conseguiriam entrar e sair sem serem vistos ou se acabariam o dia engolidos em chamas. Era menos estressante; fazia bem não ter que olhar sempre atrás de si e procura-lo, não ter que se preocupar com ninguém além de si próprio durante um assalto. Mas o preço que Leonard havia pago não compensava o lucro dos ganhos. Era Lisa quem apontava as olheiras, frutos de noites mal dormidas. E resmungava por serem dois idiotas, um mais cabeça dura que o outro.
— Ele não quer ser encontrado, Lisie — Falou certa feita. Erguia os olhos das plantas dos prédios que estudava antes de haver cochilado.
— O que não quer dizer que você não deva ir atrás dele.
E aquela foi sua última palavra sobre o assunto.
Len, sendo o sujeito racional que era, teve de analisar todo prospecto possível que a situação exigia. Se – e era um grande “se” – voltasse por Mick, como as coisas seriam entre eles, então? Ele tinha de saber-se mais confiável; saber que impediria o outro caso a situação fosse outra vez tão extrema. Os pesadelos, mesmo passado anos, se repetiam iguais. Eram cacofonias de gritos e fogo e o estalar e ranger da madeira. Lembrava de acreditar que o arrastava morto para fora da casa, desesperado demais para qualquer outra coisa que não agir por impulso. De jogá-lo para dentro do carro e deixar joias e dinheiro para trás, pouco se importando se era o lucro de uma vida e todo o trabalho pelo que haviam sofrido e trabalhado e que as chamas engoliam. Não havia pedido por uma ambulância porque se acreditara sem tempo. Estivesse acordado, Mick reclamaria por Lenny estar dirigindo. Estivesse acordado, Len jamais tocaria o volante. Mas Mick não estava acordado e não iria acordar e Len precisava dirigir – e, droga, dirija! Milagre terem chegado ao hospital inteiros. Milagre, também, Mick ter vivido para contar aquela história. E Leonard o deixou ir porque não suportava a ideia de não poder protege-lo; de ter que vê-lo morrer diante dos seus olhos, ao alcance das mãos, mas ainda assim tão longe.
Levou tempo para aceitar que tinha tanto medo de ferir-se como tinha medo de feri-lo.
Quando se aquietou com a situação teve de tomar coragem para encontra-lo de novo. Sabia que Mick não o culpava, mas isso não tornava as coisas mais simples. Havia essa sensação enredada no estômago que lembrava uma ânsia; um nervosismo mal dissimulado da culpa auto infligida.
— Vá vê-lo, Leonard. — Lisa só o chamava de Leonard quando a coisa era mesmo séria — Ele vai gostar de te ver.
A isso Leonard havia sorrido como quem duvida, mas as sobrancelhas da irmã o repreendiam e o desafiavam a dizer o contrário. Vencido, Leonard Snart fez as malas para o interior, sem saber que o destino tem seu próprio jeito de brincar com a vida das pessoas. Estava de passagem comprada quando a voz de Lewis Snart o assaltou no telefone:
— Ei, rapagão — O tom, o timbre, a voz que lhe embrulhava o estômago — Estava na cidade, então pensei: por que não ligar, não é? Não é isso o que quer dizer família?
Mas Lewis Snart não era sua família desde que Leonard se lembrava.
Seu pai, Lewis, havia sido um policial, mas havia sido há muito tempo. Isso antes de aceitar os subornos e as rondas ilícitas e cair nas graças da máfia e das famiglias. Só que era um criminoso de raia miúda, desleixado e arrogante, crente de ser melhor e mais esperto do que a polícia onde trabalhava. Apenas sua cegueira insolente não via que era o mais medíocre dentre os ladrões; que seus trabalhos e serviços eram desimportantes o bastante para não serem notados, indignos de confiança e desdenhados por qualquer outro que não ele. Não, não ele, ansioso como um cão atrás de um osso, mas nojento e pérfido como um rato. Nenhum dos figurões do crime o levava a sério, mesmo que fosse sempre bom ter um ou dois tiras no bolso.
Quando pego, Lewis deu nomes que ninguém rastreou. Falou de pessoas que nunca existiram. Dedurou colegas e ligações que ninguém se importou em checar. E, quando solto sem patente ou distintivo, procurou as famílias jurando não ter aberto o bico nem dito palavra. Um larápio mais inocente acreditaria. Não foi nem preciso forçar as condições de sua prisão: ele tinha o péssimo hábito de não ser bom em nada e de entrar em seu próprio caminho. O incumbiram do roubo de uma esmeralda tão grande quanto o punho de um homem e Lewis Snart foi pego em flagrante. Resistira à prisão. Ofendera os oficiais. Ficara preso cinco anos até sua soltura e o tempo que lá passara acabaram por transformar em escória o que já era um homem podre.
Virou um bêbado incorrigível. Para esquecer, ele dizia. Esquecer que tinha uma família inútil que o arrastava; três bocas para alimentar que nada faziam além de pedir, reclamar e cobrar. Deus, dia desses se tivesse uma arma ele faria por merecer esses anos na cadeia. E deixava isso claro todas as vezes que batia na esposa. Que porcaria de comida era aquela, afinal? Ele se matava nas ruas para conseguir pôr comida na mesa e, quando o fazia, ela cozinhava o regurgito de um gato? A puta precisava apanhar para saber que o lugar dela era com a barriga colada no forno ou as pernas abertas na cama. E batia nos menores pelos gritos, pelo choro. Até pelas risadas baixas que dessem enquanto ele próprio dormia. Esses diabos tinham que aprender a respeitar o santo sono de um homem. Lenny e a irmã iam dormir aos prantos com o lombo ardendo das varadas e do açoite. Certa vez passara as mãos de Leonard a ferro quanto o molequinho tentou pegar seu troco da venda. Um dólar e setenta, para um sorvete. Tinha que aprender a não foder com ele. E não era tudo uma lição agora? Batia neles para que aprendessem a calar a boca, para aprenderem respeito, para abaixarem a cabeça e aceitar.
Dia daqueles a mulher fugiu sem os filhos. Deixou-os para trás no desespero de ver-se livre do marido. Talvez tenha crido que ele a acusaria de sequestro, de leva-los contra sua vontade. Fosse como fosse, nunca voltou para busca-los nem nunca olhou para trás para lembrar-se de que tinha família.
Leonard cresceu sendo o escudo da irmã. A pequena Lisie, tanto tempo mais nova, fora a única alegria que seus pais o deixaram. Seu sorriso de menina e risinho cristalino eram doces como o orvalho e Leonard se embevecia deles para esquecer a vida miserável que tinha. Quando os tapas e o açoite eram demais durante o dia, Lenny se achegava a ela de noite e lhe contava estórias. De princesas e dragões e de finais felizes. Ela apertava a sua mão e beijava sua bochecha e, escondido no escuro, Leonard chorava quieto para não desperta-la.
Jurou protege-la. Durante todos os anos que cresceram com aquela pobre desculpa de pai, Leonard cumpriu sua promessa. Não deixava que o homem relasse nela suas mãos. Sempre que bebia e parecia que sua ira explodiria em um dos dois, Leonard fazia questão de ser este um. Sempre ao alcance de seus tapas e de seus socos e sempre distante de Lisie. O mais que podia, pedia para que ela ficasse em seu quarto e não tivesse que ver nada que não queria. Sendo boa menina, ela obedecia. Pedia que ficasse quietinha. Pedia que fosse boazinha. E Lisie era boazinha e quieta mesmo quando as vozes erguiam oitavas e coisas voavam pela casa. Não dizia palavra nem mesmo quando seu irmão voltava para o quarto tingido de roxo, vermelho e do evanescente amarelo de abrasões que não tinham tempo de curar antes de serem cobertas por outras novas.
— Diz logo o que quer e desliga.
— Vai com calma aí, rapaz. Não erga a voz para o seu pai.
Os dedos se juntaram na ponte do nariz. Uma dor de cabeça surda surgiu de lugar nenhum.
— Mas já que quer saber, talvez eu precise de ajuda num trabalho importante.
— Não.
— Eu não diria que você está em posição de recusar. Diga olá pra ele, querida.
— Lenny! — A voz de Lisie gritou ao telefone — Lenny, não faça nada do que ele pedir, eu vou ficar bem, Len- hmmph-
— Cale essa boca, acho que ele já entendeu — O sorriso palpável do outro lado da linha — Não é, Lenny? Vai querer ajudar seu velho pai?
Leonard não teve como dizer não. Teve, também, de ver o ônibus chegar e partir enquanto ficava com os pés presos na estação.

[ Bom gente, é isso. Fim do primeiro capítulo, BUT- tem mais. Bem mais. Mas queria saber aí a opinião de vocês, porque é :'3 ]
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